Ser formado pelo Instituto Superior Técnico é muito mais do que concluir um curso e receber um diploma. É chegar ao fim de um percurso exigente, intenso, mas profundamente transformador. Agora que saímos desta instituição, olhamos para trás com orgulho pelo ciclo que se fecha e para o futuro que estamos prontos para construir
Nestes anos, enfrentámos semestres que pareciam não ter fim, cadeiras que nos tiraram o sono e decisões que pareciam maiores do que nós. Reinventámo-nos em tempos de pandemia, encontrámos forma de seguir em frente quando tudo parecia parado e provámos — a nós próprios — que somos resilientes, curiosos e capazes. Porque ser do Técnico é isso: é resistir, reinventar, encontrar soluções no caos - e colaborar. É crescer num ambiente onde o rigor é regra, mas também onde se cultiva o espírito crítico, a autonomia, e a criatividade que só aparece quando o tempo escasseia e os desafios apertam.
Para muitos, a tese de mestrado foi mais do que um trabalho final: foi a prova de que somos capazes de transformar uma ideia em conhecimento, e o fruto do nosso esforço, da nossa perseverança, da nossa capacidade de insistir, de pensar a fundo.
O Técnico é exigente e forma profissionais de excelência, isso é parte da sua identidade. Mas esta formação não é, nem pode ser, apenas técnica. O mundo que vamos enfrentar exige profissionais de excelência, sim — mas também cidadãos conscientes, empáticos, capazes de ver o outro e pensar coletivamente. Por isso, o Técnico pode — e deve — continuar a crescer como escola que cuida das suas pessoas. Porque não há excelência, não há rigor, não há inovação, sem equilíbrio, sem escuta, sem empatia.
Foi exigente? Sim. Mas também por isso saímos daqui mais conscientes. Mais preparados. E mais confiantes no futuro que queremos — e podemos — ajudar a construir.
Durante os últimos anos, tive o privilégio de representar os estudantes no Conselho Pedagógico e de dar as boas-vindas a quem iniciava o seu percurso. Dei por mim a refletir sobre tudo o que tentei transmitir aos que chegavam. Costumava repetir que o Técnico é duro, sim — mas que o Técnico não se faz sozinho. Foi das primeiras coisas que me disseram quando aqui cheguei. E hoje, mais do que nunca, acredito nessas palavras. O Técnico não se faz sozinho. Faz-se com professores que marcam. Com colegas que inspiram. Com famílias e amigos que aguentam connosco os altos e baixos. Faz-se de silêncios cúmplices nas salas de estudo, cafés intermináveis, amizades que se tornam porto seguro, de todas as formas de nos envolvermos nesta tão grande comunidade.
Essa comunidade invisível, mas vital, é parte do nosso sucesso. E é por isso que, agora que nos despedimos, o agradecimento é também um manifesto: que nunca esqueçamos que o conhecimento só vale se for partilhado, que a excelência só importa se for humana, e que nenhum futuro se constrói sozinho. Porque esta conquista é de cada um de nós, mas também de todos os que estiveram ao nosso lado.
Saímos do Técnico como mestres. Mas mais do que isso, saímos preparados para enfrentar a complexidade — e transformar desafios em soluções com consciência, coragem e compromisso.
Alumna recém-graduada do 2.º ciclo do Instituto Superior Técnico
* Texto adaptado do discurso proferido no Dia da Graduação 2025, de celebração dos diplomados em mestrado e doutoramento do Técnico.