O exercício da atividade política para os pais fundadores do pensamento democrático, Platão e Aristóteles não deveria ser exercida por todos, mas apenas por aqueles que possuíam conhecimento verdadeiro do bem e da justiça. Na sua obra A República, Platão defende a ideia do governo dos filósofos – os chamados reis-filósofos, cidadãos mais racionais, educados na filosofia e na contemplação das ideias, capazes de governar de forma justa porque compreendem o que é o Bem. Os demais cidadãos deveriam ocupar funções correspondentes às suas aptidões (guerreiros, produtores, etc.), mas não governar.
Para Platão, a atividade política deve ser confiada aos filósofos, sábios e moralmente preparados.
Escrevo esta nota introdutória para subscrever a necessidade de maior controlo sobre a formação cívica, moral, técnica e filosófica dos eleitos. A meritocracia deveria constituir um elemento essencial no acesso a cargos políticos, tanto nos eleitos como nos de nomeação.
Se a falta de competência na generalidade dos políticos eleitos tem sido uma nota dominante nas últimas décadas, mais recentemente assistimos a uma crescente demonstração de ignorância, falta de civismo e educação. Os tristes espetáculos que os deputados da Assembleia da República têm proporcionado são reveladores do desrespeito pelo cargo e pelos eleitores. Só acredito numa forma de liderar e de influenciar: PELO EXEMPLO.
Os padrões de ignorância e de falta de educação são tão vastos que os jovens portugueses pouco crescerão enquanto cidadãos politicamente ativos e socialmente participantes pelo exemplo que lhes é fornecido por este grupo atualmente em funções na AR. Os gestos, os tons de voz e os vernáculos proferidos são, para mim enquanto cidadão, pai, gestor e professor, motivo mais que justificado para a demissão forçada destes personagens socialmente indesejáveis. Não posso, neste contexto, deixar de lembrar a consequente demissão do governo, de Manuel Pinho, na sequência de uns gestos, também eles brejeiros e mal-educados para um deputado.
A bancada do Chega está cheia de falta de educação e brejeirada e tem sido capaz de trazer ao de cima a natureza amplamente disfarçada do líder da bancada do PSD. Hugo Soares que já confundia ‘€2.000 euros por português’ com ‘€1.000.000 por português’, confunde agora ‘urbanidade’ com ‘urbanismo’, e ‘morada’ com ‘porrada’. Mau demais ver o atual PSD liderado e organizado por quem se aproxima do pior que o Chega representa na sociedade portuguesa; em política e em comportamento brejeiro, chungoso e mal-educado.
Enquanto não aceitarmos que o sistema político está profundamente contaminado com falta de competência e falta de urbanidade (urbanidade Hugo Soares... não urbanismo...), Portugal continuará a debater os mesmos temas no mesmo local estagnado em que se encontra faz décadas, enquanto os Adrezitos e os Huguinhos desta vida continuarão a ser os protagonistas principais deste triste espetáculo.
CEO do Taguspark, Professor universitário