sexta-feira, 15 mai. 2026

Moda e Joalharia. O universo mágico e (sempre) utópico de Cata Vassalo

A nova coleção da marca Cata Vassalo foi apresentada em modo espetáculo. A designer da marca homónima revela a inspiração e o propósito das novas peças.
Moda e Joalharia. O universo mágico e (sempre) utópico de Cata Vassalo

Neverland” ou “Terra do Nunca” é o nome da nova coleção da marca Cata Vassalo. Foi apresentada na terceira edição do espetáculo “Utopia”, organizado pela designer portuguesa Catarina Vassalo, que convidou centenas de pessoas a mergulhar no seu universo fantasioso.

No Lx Factory, em Lisboa, caras bem conhecidas – como Francisca e Ricardo Pereira, Alice Trewinnard, Vavá Rebelo, Mafalda Sampaio, Mel Jordão, Inês Gutierrez, Hélder Tavares, Oceana Basílio, Astrid Werdnig e a filha Chloë e Liliana Santos –, desfilaram ao lado de modelos profissionais para mostrarem as mais recentes criações de Catarina Vassalo.

A desginer de 41 anos, que já se tornou uma referência no setor da joalharia em Portugal, falou com a Versa sobre onde vai procurar inspiração e para quem foram desenhadas as mais de 60 peças que compõem esta coleção.

“Utopia” pela terceira vez... talvez este ano faça ainda mais sentido, num mundo que precisa de sonhar?
Para mim faz todo o sentido, pode não fazer sentido para outras pessoas. Mas, como criativa, não sei não sonhar. Um dia normal para mim é criar novas experiências, novas peças. E é daí que vem este sonho. Podia estar simplesmente só a fazer brincos e já está, mas não é de todo o intuito.

Qual a inspiração desta nova coleção “Utopia”?
É quase sempre o mesmo mote todos os anos, no sentido em que me inspiro no dia a dia, em momentos especiais. E nos momentos em que estou aborrecida crio imenso...

Engraçado, porque às vezes é o oposto, quantos mais estímulos, melhor...
Não. Eu sou aquela pessoa que quando estou de férias é quando crio. Estou a fazer coisas e a pensar em maluquices [risos].

E de que forma isso se traduz na nova coleção?
Um exemplo. Há um look que representa o meu pai, que já não está connosco. Ele não tinha perna, tinha ferros a sair da perna, então tinha de usar umas calças com lacinhos. Todas as calças que comprava tinham de se abrir e isso está representado numa peça da nova coleção. Também, por exemplo, estou a olhar para ali e estou a ver um chapéu de estilo indiano. Eu viajo imenso para a Índia, adoro, então fui buscar essa referência. Ou seja, é totalmente sem querer. Não sou aquela pessoa que se senta e diz “a coleção vai ser isto”. Não. Vou fazendo e, de repente, tenho 63 looks.

São todos muito diferentes?
Completamente diferentes. Temos muita cor ao princípio, passamos pelo branco e depois acabamos no preto.

Por alguma razão?
Acho que é o que fica mais bonito em passerelle. Branco, porque representa muito as noivas com quem trabalho. E preto porque amo preto. Ando sempre assim, de preto, e acho que toda a gente fica bem de preto. Quanto à cor, apesar de no dia a dia ser muito de preto, em casa tenho muita cor. Também adoro brilhos e acho que qualquer pessoa fica bem com brilhos.

Esta coleção marca alguma rutura em relação ao que já apresentou antes ou é mais uma evolução natural do seu percurso criativo?
É totalmente uma continuidade. Ou seja, cada vez mais sei que é isto que quero fazer. Talvez dois eventos por ano não é o que quero fazer, mas este evento representa aquilo que eu gosto de fazer. Tenho perfeita noção de que ninguém vai usar no dia a dia qualquer uma destas roupas, mas qualquer pessoa devia ter uma peça destas no guarda-roupa. É que a pessoa olha e diz “não vou ficar bem com isto”, mas depois veste e fica logo bem. Depois, juro-vos que 99% da coleção não teve alterações de maior, porque eu experimentei a roupa, senti as costuras, fiz tudo com tecidos usáveis. Mesmo que seja um tecido mais agressivo, tivemos o cuidado de o tratar para que qualquer modelo possa ser usado. Não quero parecer sexista, até porque também visto homens, mas não há nada como mulheres vestirem mulheres. Acho que está uma coleção gira e dinâmica. Dos homens, usava a roupa toda.

Falava dos materiais e técnicas de confeção. Há alguma inovação ou surpresa nesta nova coleção?
Quando vou a uma loja de tecidos compro tecidos que usaria para fazer um sofá. A senhora da loja dos vestidos está sempre a dizer “menina, o tecido é para o que a menina quiser”. Eu acho imensa graça a isso, porque é mesmo. Quanto a técnicas, gosto que os casacos estejam muito bem feitos por dentro e por fora, algo que está muito representado aqui.

Que tendências estão presentes na nova coleção?
Tudo o que possas imaginar. Estou sempre atenta. Não me fixo numa só tendência, gosto muito de misturar coisas e acho que de ano para ano nota-se isso. Está tudo pensado ao pormenor e quis aproveitar este ano para arriscar um bocadinho mais.

O desfile “Utopia” tem uma componente cénica/artística especial. Qual a inspiração?
A inspiração é sempre a mesma: empoderamento. Seja masculino, seja feminino. Toda a gente que pisar aquele palco tem de sentir “estou e sou fabuloso/a”. Ninguém vai para ali só passar numa passerelle, é para se divertirem e terem um bom momento.

Como descreve a mulher e homem que imagina a vestir a nova coleção “Neverland” 2025?
Tem de ser uma pessoa ousada. Eu, por exemplo, sou uma mulher muito prática, mas também gosto de ‘vavavum’. Acho que é um bocadinho por ai. As calças têm um fit super confortável. O corte de homem dá para mulher, porque está super feminino, ao mesmo tempo. Por exemplo, para o Ricardo Pereira, ele só fez fitting hoje, quem experimentou a roupa fui eu. Ele chegou aqui e disse “a roupa não vai caber” e ele entrou nela, fizemos apenas uma bainha. Depois, como trabalhamos com as pessoas durante o ano todo, é fácil, consigo olhar e dizer que serve no Ricardo ou na Francisca Pereira.

Para que momentos são as novas peças Cata Vassalo?
As coroas têm de ser num “momentaço”, não pode ser em qualquer lado. Mas, por exemplo, todos os brincos, acho que com uma t-shirt branca e uns jeans... e estás ótima. As camisas igual. Queres ir um bocadinho menos formal, vestes um top, barriga de fora e com aquilo por cima. Dá sempre para dar um up ao look, sem ser too much.

Todas as peças são usáveis e super versáteis. Acho que se misturarmos todas as peças com qualquer coisa que temos em casa conseguimos usar no dia a dia.