quinta-feira, 22 jan. 2026

João Catarré. “É fundamental passar por um processo de aprendizagem intenso e com as pessoas certas”

Muitos ainda o tratam por ‘Pipo’, nome do protagonista a quem deu vida na famosa série Morangos com Açúcar, em 2003. E Catarré não se importa, já que acredita que é um sinal de reconhecimento por parte do público. Seguiram-se inúmeras personagens, mas sempre com a mesma paixão
João Catarré. “É fundamental passar por um processo de aprendizagem intenso e com as pessoas certas”

Estamos nos estúdios da Plural, onde a magia acontece. João Catarré aproxima-se com um sorriso no rosto e descontração no olhar. Sente que uma das suas «missões de vida» é contar histórias e há mais de 22 anos que o faz, entregando sempre tudo de si aos projetos em que participa. Considera-se uma pessoa verdadeira e direta. Já passou pela RTP, pela SIC e recentemente voltou à TVI para ser o protagonista da nova novela Terra Forte, onde voltará a contracenar com a colega Benedita Pereira.

Aos 17 anos começou a fazer alguns castings para publicidade. Já disse que se foi sentido atraído pelas várias personagens que ia dando vida Foi aí que nasceu o “bichinho” pela representação?

Foi. Consoante ia fazendo castings e me eram propostas novas personagens ou pequenos desafios... E isso foi-se tornando cada vez mais intenso, as personagens cada vez melhores, maiores e mais fortes, e as participações mais diversas… Acabou por despertar em mim um interesse em tentar perceber como se fazia representação. 

Mas antes da representação entrar realmente na sua vida, trabalhou como modelo ao mesmo tempo que estudava Informática de Gestão. Numa outra entrevista já revelou que, na altura, não sabia bem o que queria ser… O que é que o interessava nesse curso?

Eu entrei para esse curso porque pensava que ia fazer e programar jogos. Sempre joguei desde pequeno, ainda tenho um Spectrum 48k que é uma antiguidade hoje em dia… Foi o meu primeiro computador e, como tenho esse passado de jogos, de computadores, pensei: «Vou fazer jogos!». Entrei no curso, que não tem nada a ver com aquilo que esperava. (risos) A programação informática é um mundo muito complexo, não era, de todo, a minha praia. (risos)

Mas não se arrependeu dessa escolha.

Não, não me arrependi! Na verdade foi muito útil! Ainda hoje é, porque eu gosto de fotografia e vídeo e, se não tivesse tido a experiência no curso de informática (em que consegui começar a aprender a mexer em programas, a perceber como é que os programas funcionam), não conseguia editar como faço. Portanto, foi uma ferramenta muito útil. Eu fiquei no terceiro ano, o curso tinha quatro. Desisti precisamente para começar a dedicar-me ao meu gosto pela representação, porque chegou uma altura em que eu achei que tinha que fazer opções. A melhor opção foi essa já que percebi que não ia programar ou fazer jogos. (risos) Aprendi o que tinha a aprender lá e segui a minha vida.

Decidiu depois formar-se na NBP – Oficina de Atores, do grande Nicolau Breyner. O que recorda desses tempos? Sente que a passagem por essa formação foi fulcral para o seu caminho?

Sim, foi fundamental. Se eu já tinha curiosidade de perceber como é que isto se fazia, aí sim ganhei as ferramentas para começar a trabalhar nisso. Tive professores, muitos deles do conservatório, na escola da Amadora. O António Feio, por exemplo. O diretor era o José Fonseca e Costa… Portanto, passei por vários processos de aprendizagem para ganhar as ferramentas essenciais para esta profissão. Tive aulas de voz, de interpretação, de corpo, de movimento, vimos muitos filmes. Estudámos toda esta parte de como é que se faz a interpretação de um texto, o que é que se pode fazer para além do que está escrito. Isso foi fundamental e foi também a certeza de que estava no caminho de uma coisa que gostava efetivamente. 

Então para si a formação é muito importante nesta área.

Muito e cada vez mais! Não só a formação, mas também ter a sorte de trabalhar com pessoas com experiência nos mais variados ramos: no teatro, no cinema, na televisão. Eu tive essa sorte! Felizmente, quando comecei cruzei-me com várias. A minha primeira diretora de atores foi a Manuela Maria, também trabalhei logo com o [Luís] Esparteiro. Tive a sorte de trabalhar com a Carmen Santos. Tive o privilégio de passar logo pelas mãos de atores mais experientes que me transmitiram muita informação para além daquela que eu aprendi na escola. Hoje em dia, é tudo tão rápido na sociedade, nas aprendizagens, as formações cada vez são mais curtas e instantâneas… Acho que é fundamental desfazermos isso e tentarmos voltar atrás. Ou seja, quanto mais tempo de formação as pessoas tiverem mais conseguem sedimentar a informação e a forma de trabalhar. Por isso, respondendo à tua pergunta, sim, acho que é fundamental passar por um processo de aprendizagem intenso e com as pessoas certas. Também é muito importante ser com as pessoas certas!

Quem era o João Catarré nessa altura? Ainda existe alguma coisa dele atualmente?

Acho que fica sempre qualquer coisa, nós somos sempre as mesmas pessoas, só que ganhamos mais atributos, crescemos. Eu era um rapaz que gostava muito de fazer desporto, gostava de aprender, tinha sempre muita curiosidade em como é que se fazem as coisas, principalmente no estúdio. Continuo a ser! Acho que continuo a ser a mesma pessoa, continuo com a mesma curiosidade, com a mesma vontade de aprender, porque penso que estamos sempre a aprender. Acho que a acomodação nos leva a uma estagnação. Eu quero sempre ser melhor e aprender mais. Sempre tive essa vontade, esse motor de busca.

Surgiu depois a oportunidade de ser protagonista na série Morangos com Açúcar. Já falou muitas vezes sobre isso, mas gostaria de saber um bocadinho mais de como foram esses tempos. Olhando para trás, o que fica?

Para já, foi um enorme desafio. Foi logo o primeiro projeto em que me foi atribuída uma grande responsabilidade, porque era um projeto novo, nem o canal sabia o que é que ia acontecer, nem a produtora sabia no que é que ia dar. Nós também fomos lá parar assim. De repente éramos um grupo de cerca de 15 jovens a começar um projeto incógnito.

Foi um sentido de responsabilidade principalmente porque vinha da NBP – Oficina de atores, tinha feito uma participação na Ana e os Sete, outra participação no Amanhecer e, de repente, tinha um papel definido. Uma coisa é uma participação, outra coisa é um papel que te é atribuído, ainda por cima como protagonista. É o fio condutor da estrutura toda da história. Senti-me nervoso na altura, mas confiei muito naquilo que tinha aprendido e foquei-me muito nisso, nas aulas que tive, no que os professores me transmitiram, na confiança com os colegas mais velhos e mesmo com os da minha idade que também estavam ali pela primeira vez. Acho que foi um trabalho de equipa e sinto que isso foi fundamental para me ter divertido, esquecer um bocadinho o peso da responsabilidade.

Ao mesmo tempo deve ter sido uma grande escola.

Foi! Foi uma grande escola! Além disso, também foi a prova que trabalhar em equipa funciona sempre melhor, que assim atingimos sempre melhores resultados, porque se estivermos cada um para o seu lado é um jogo individual. Os Morangos com Açúcar foi mesmo a prova consolidada disso. A série resultou por causa disso, desse entrosamento entre todos, e não estou a falar só de atores, estou a falar da equipa técnica que também ajudou imenso. Quem entra num platô pela primeira vez, ou num set, não está a pensar se está com a luz certa ou se está a representar virado no ângulo certo para a câmara. Toda a gente estava a trabalhar para o mesmo e foi a melhor escola que tive, foi a melhor escola possível.

Regressa muitas vezes a esse sítio? A série está a passar atualmente na televisão…

Sim! Regresso porque foram tempos muito felizes. Nós divertíamo-nos todos os dias… Isso fica sempre na memória.

Também deve ser engraçado terem acompanhado o crescimento uns dos outros… Muitos voltam a cruzar-se em projetos…

Sim! É muito giro, porque já passaram 22 anos. De repente já somos pais, já temos cada um a sua vida, uns continuaram a trabalhar na representação, outros não, mas volta e meia, voltamos a encontrar-nos, nem que seja esporadicamente, por aí na vida.

Alguns fãs ainda hoje o associam muito ao Pipo. Isso é um peso para si? Incomoda-o?

Não, de todo! Até acho que é o contrário… É um reconhecimento. Quando fazemos teatro o reconhecimento do público é o aplauso no final; no cinema é a bilheteira que demonstra se o público quer ou está interessado em ver aquela história ou não; aqui na ficção, na televisão, o reconhecimento é feito na rua. E eu acho que esse reconhecimento –- de ainda me chamarem Pipo e Joana à Benedita –, é o resultado de que o produto foi um sucesso. A história foi contada de uma forma leve como se queria, o público gostou e ainda hoje me cruzo com pessoas mais ou menos da minha idade que dizem que são pais e já meteram os filhos a ver os Morangos com Açúcar. É ótimo! É sinal que pedagogicamente ainda é um produto que está atualizado, por mais que tenha sido feito há 20 anos. Acho que melhor reconhecimento do que isso é impossível. As pessoas não se esqueceram das personagens.

Há alguns colegas seus que já admitiram que se sentem “rotulados”, que lamentam que as pessoas só se lembrem desse projeto quando já fizeram outros tantos…

É claro que se calhar já pensei de outra forma no passado… Eu lembro-me perfeitamente do Duarte e Companhia e o Rui Mendes fez muito mais do que isso, não é? Agora, se isso marcou uma geração, marcou. Portanto, acho que o facto das pessoas associarem uma personagem a um produto, significa que há um certo carinho pela personagem.

Já disse que sente que uma das suas missões é «contar histórias». O que é que há de tão especial para si neste universo artístico?

É a magia que existe em cada história que podemos contar, o que podemos colocar em cada uma delas, a forma como a contamos… E há várias formas de contar histórias: há os que estão à frente da câmara, os atores, e há também o lado de trás da câmara que também é uma paixão minha. Mas fazer chegar ao público uma história em que as personagens retratam muitas vezes aquilo que se passa na sociedade e no dia-a-dia das pessoas, com surpresas boas ou más, é também uma grande responsabilidade. Poder partilhá-las, ter os meios para fazer chegar ao público uma história diferente ou uma história que lhes toque no coração, que toque de uma forma em que o público fique com curiosidade do que é que aconteceu, ou o que vai acontecer, é uma dádiva. A magia de poder construir personagens diferentes e colocá-las num meio ambiente, numa sociedade diferente, fazer uma linha temporal em que acontecem várias coisas que mexem com a vida dessas pessoas… Quando este produto é feito e mostrado ao público, o público também vive essa história, vive essa linha temporal com aquelas personagens. A magia é mesmo colocar o espetador dentro da história, seja em cinema, em teatro, em televisão. Isso é muito bonito.

São três formas muito distintas de trabalhar…

São universos muito diferentes, mas com o mesmo objetivo: fazer chegar ao público uma história. As pessoas quando vão ao teatro vão ver uma história, quando veem uma novela veem uma história mais alargada, quando veem um filme veem uma história numa sala escura com um tipo de linguagem que invade quem está a ver, não é? Portanto, são formas de comunicação que me apaixonam.  

A arte também salva, não é?

Sim, claro! Muitas vezes as pessoas pensam que estão sozinhas numa situação.

A questão da identificação…

Sim… Sentem que estão sozinhas, isoladas… Ou por vergonha social ou por medo. E, de repente, podem ver uma história e reverem-se numa das personagens. Por isso sim, pode salvar vidas, pode dar coragem a alguém que está numa situação de clausura e que, com ela, ganha forças para expor qualquer situação que seja menos agradável. Assim como, se calhar, há pessoas que também são um bocadinho mais retraídas e, de repente, veem um filme, pensam sobre aquilo que têm bloqueado dentro delas e passam a ver a vida com outros olhos.

Dar vida a essas personagens torna-o uma pessoa mais empática?

Depende das personagens. (risos) Há personagens e personagens, não é? Se fizer um vilão, se for uma história um bocado negra, se tiver a fazer uma personagem não tão agradável, se calhar não há tanta empatia para retirar dela, nem por parte do público. Mas lá está, nós atores não fazemos só um projeto e, muitas vezes, não ficamos marcados só por um projeto. Por isso é que é bom variarmos, fazermos um vilão ou fazermos uma personagem que é muito boa, com grandes valores.

Todos os seus personagens são construídos de uma maneira diferente? Ou possui algum método de trabalho que vai replicando?

Não. É sempre diferente. Cada personagem é uma personagem. Cada história é uma história! Mas não gosto de falar muito sobre os meus processos criativos. (risos)

Já participou em muitas novelas de sucesso. Qual foi a personagem mais desafiante que interpretou até hoje?

O João Guerra, no Jogo Duplo, aqui da TVI. Tive de fazer um trabalho físico muito grande, aprender artes marciais, Krav magá. A novela tinha uma linguagem muito oriental e, por isso, foi um mundo novo. Ou seja, esse projeto deu-me um particular prazer em fazer, porque era uma coisa completamente diferente das novelas que são feitas em Portugal. Tal como a Belmonte, onde fui buscar um bocadinho das minhas raízes pessoais. Essa também foi muito especial pelas pessoas que participaram, criou-se mesmo uma irmandade na altura. E mais recentemente, o Miguel, na A Promessa. Não posso escapar a esse, porque foi de facto o mais desafiante a nível físico e psicológico.

Acredito que vai descobrindo coisas sobre si próprio com cada personagem.

Sim, sim! Cada personagem tem as suas particularidades. E consoante a vais construindo, principalmente em televisão, vais descobrindo que ela tem coisas que não trabalhaste desde o início, mas que ainda vais a tempo de colocar, porque é uma construção que é feita nesse sentido. Assim como a história, que começa a ser escrita com 20 episódios e depois começa a desenvolver. Portanto, é tudo um processo de progressão na construção, tanto da história como da personagem. Cinema é diferente. No cinema constrói-se a personagem de raiz, de base, sabes o que estás a fazer… E depois, se calhar, no set ainda descobres mais coisas. Mas tem uma base muito fiel logo à partida. Não quer dizer que na televisão também não exista, mas é mais progressivo do que no cinema. E no teatro tens um mês e meio para definir como é que vais contar a história, quem é que são as personagens e como é que elas se vão comportar.

Falando de televisão, os períodos de trabalho são muito longos. É difícil desligar das personagens?

Às vezes sim. Como a intensidade é tão grande… Nós estamos muito tempo aqui a gravar com as roupas das personagens, a dizer o que as personagens defendem. Muitas vezes é difícil passar ali da cancela e desligar aqui [Plural] o botão, porque a cabeça continua no processo do que foi feito, como é que foi feito, se podia ter sido feito de outra maneira. Chegamos a casa, temos mais texto para decorar para amanhã, mas o dia de hoje ainda está aqui a processar. É tudo muito intenso. E é um exercício, tentar fazer essa separação. Eu acho que quanto mais intensa é a história, mais difícil é de desligar. Se for uma história leve, se for uma comédia, se calhar não há tanto essa questão. Agora quando são histórias mais pesadas, em que as personagens são mais densas e mais intensas, é complicado. Por mim falo, claro. Há colegas que conseguem fazer assim, mas acredito que, no fundo, vai sempre haver qualquer coisa a trabalhar, nem que seja inconscientemente.

Também gosta muito de fotografia. No Instagram publica algumas tiradas por si. Qual é a importância deste hobby (se pudermos chamar assim), na sua vida?

A imagem. Sempre gostei muito de imagens. E lá está, comecei com fotografia e hoje em dia faço também vídeo. Estou sempre a ver o que é que as marcas lançam de lentes, de máquinas, as capacidades das máquinas, a iluminação, a parte da direção de fotografia também, filtros… Portanto, sempre houve um grande interesse. E a parte informática também tem essa importância hoje em dia, porque depois na pós-produção de fotografia ou de vídeo, eu facilmente consigo, através do software, descobrir quais são as funções de cada programa e consigo editar. Agora, a fotografia para mim sempre foi uma grande paixão, porque é uma espécie de retiro. É uma espécie de filme em que, de repente, deixas de ouvir tudo o que está à tua volta, nada interessa, e estás só a focar no que estás a ver através de uma lente. Gosto de agarrar na máquina e deixar-me ir por aí fora.

No princípio da conversa falou muito sobre a importância do trabalho em equipa, de aprendermos com quem sabe. Quais são as suas maiores referências e inspirações no meio artístico?

Vou já falar no Stanley Kubrick, porque é o realizador de cinema que eu mais gosto, acompanho os trabalhos que ele deixou. Infelizmente foram menos do que eu queria. (risos) Admiro-o por todas as obras que deixou feitas, pela maneira como conta as histórias e o tipo de histórias tão variado que consegue criar, universos tão díspares que conseguiu construir… Depois, em Portugal, há uma pessoa que para mim há de ser sempre uma referência: o Filipe Duarte. Não só profissionalmente como pessoalmente. (pausa de silêncio)

E ao longo deste percurso, já recebeu algum conselho que nunca vá esquecer? Alguma frase que de vez em quando lhe venha à memória?

Para ser sincero, não. (risos) Eu baseio-o muito na perspetiva de ser sempre eu próprio. Quero ser sempre eu próprio, nunca andar a fingir nada. Sou direto e verdadeiro.

Como foi este regresso à TVI? Vai ser o protagonista da nova novela ‘Terra Forte’. O que é que nos pode revelar sobre o projeto? Como é voltar a contracenar com a Benedita Pereira depois de todos estes anos?

Estou cheio de vontade de contar, mas não me deixam! (risos) É uma história muito intensa. Ia começar precisamente por aí! (risos) Está a ser ótimo, porque passaram 22 anos desde que eu e a Benedita Pereira fizemos os Morangos e, de repente, estamos no set frente a frente e parece que fomos só passar uns dias fora e voltámos. (risos) Isso é especial.

Quanto à história… É forte, eu acho que vai surpreender o público, principalmente porque a narrativa da Maria João Costa é muito bem trabalhada. Ela sabe muito bem o que é que cada personagem é e qual a sua função no puzzle.Eu estou a fazer o António, que tem uma família composta pela pelo irmão e cunhada, pelas duas filhas e a mulher. Pescador dos Açores que gosta muito do que faz. Ele é feliz com a família que tem.

Tem sotaque?

Não! (risos) Curiosamente nas Flores eles não têm sotaque. Nós tivemos oportunidade de lá ir e percebemos que eles não têm sotaque. Era uma preocupação no início. Isso salvaguardou-nos de alguma maneira! Continuando… Tudo corre bem até que algo de mal acontece.

Isto de gostar de contar histórias, querer contar, e não poder não é fácil! (risos)

Podes crer! (gargalhada) Nada fácil! Mas basicamente acontece uma coisa que vai pôr em causa esta segurança e esta paz familiar. Depois a história acontece. É uma história muito bem escrita. Depois há outra questão… Voltar aqui é muito bom, porque vê-se a vontade de evoluir tecnicamente na forma como se conta uma história. Estou a falar da parte técnica. Temos à frente deste projeto o Edgard Miranda que vem trazer aqui uma nova linguagem. Há sempre a perspetiva de fazer mais e melhor. Não quer dizer que isso não acontecesse com outros realizadores, claro.

Há algum sonho profissional ainda por realizar? Algum papel ou género que ainda não fez mas gostava de experimentar? Diz que gosta muito da parte técnica, da parte que ninguém vê. Talvez realizar?

Sim! Contar histórias atrás da câmara. É uma forma diferente de contar a história e isso atrai-me. Uma coisa é interpretar uma personagem dentro de um bolo que é a história toda. Outra coisa é estar atrás a vê-la a ser contada, perceber a melhor forma de fazê-la nascer. Que imagens vou escolher, como é que as vou captar para passar essa história, usando os atores, os décors e o enquadramento social…

Acredita que todos esses interesses e valências o tornam um ator mais completo?

Sim, porque acho que é cada vez mais importante para um ator saber com o que é que está a trabalhar. O facto de eu saber que lente estão a usar, que tipo de câmara está a ser usada, que tipo de iluminação está a ser feita, que tipo de áudio é que está a ser captado, facilita o trabalho de equipa. É isto a nossa vida!