VASP - 50 anos - Marco Galinha
A VASP reuniu centenas de editores, parceiros e colaboradores para discutir a sustentabilidade do setor, a diversificação da oferta e os desafios e oportunidades dos pontos de venda. No 1.º Encontro Nacional de Pontos de Venda de Imprensa, realizado no Golden Eagle, em Rio Maior, o CEO da empresa, Marco Galinha,criticou a lentidão do Governo a concretizar uma proposta para a distribuição. «Vivemos num país em que as palavras são fáceis e os atos são muito difíceis de cumprir», disse. «A VASP anda há um ano a tentar ter um projeto de ajuda aos editores para chegarem ao interior do país. Mas andamos há um ano em reuniões, reuniões atrás de reuniões e cada vez parece mais longe», disse Marco Galinha, sublinhando que «a VASP não é o Estado português» e não pode «substituir os deveres do Estado». À parte a sua intervenção no encontro, o empresário reconheceu ao Governo o facto de ter sido o primeiro «a pôr o tema dos media na agenda», mas salientou a demora na execução das promessas, acrescentando que a VASP perde 500 mil euros a cada milhão que faz de vendas no Interior. Se fosse uma decisão puramente financeira, «parava hoje com a distribuição no Interior». Só não o faz porque «se importa com as pessoas». «Em vez de fecharmos rotas, mantivemo-las abertas à espera deste dia», disse Marco Galinha, referindo-se a 15 de setembro, dia previsto para abertura do concurso.
O Plano de Ação para a Comunicação Social (PACS), apresentado em Outubro de 2024, tinha como um dos objetivos garantir a distribuição de revistas e jornais em todos os concelhos do país, assim como o apoio à distribuição em zonas de baixa densidade populacional. O PACS previa o lançamento dum concurso público para a distribuição de publicações, uma vez que em quatro concelhos do Interior - Vimioso, Freixo de Espada à Cinta, Marvão e Alcoutim - já não se pode comprar jornais e revistas (não há um único ponto de venda).
A distribuição da comunicação social pelo país foi abordada pelo administrador-delegado da VASP. «Provavelmente, neste momento, o maior desafio logístico em Portugal, é a distribuição de imprensa que a VASP faz», diz Rui Moura ao nosso jornal, acrescentando que se trata do «produto mais perecível do mercado».
O responsável lembra que «continua a haver jornais em Portugal 365 dias por ano», já que «mesmo nas feriados, mesmo no 1 de janeiro e no 25 de dezembro, há jornais diários». Para mais, a imprensa é um produto mais «perecível que um iogurte, que se não entrega às nove da manhã, entrega ao meio-dia, se não é entrega ao meio-dia, entrega às seis da tarde». Já o jornal diário, «se não é entregue à primeira hora da manhã, às onze e meio-dia o leitor já não tem interesse», pelo que a «prioridade é a hora de abertura». Veja-se como exemplo um ponto de venda em Sintra ou Cascais na estação do comboios. «Se os jornais e as revistas e os diários não estão nos pontos de venda, em Cascais e em Sintra, antes das sete da manhã, as pessoas que vão apanhar o comboio para Lisboa já não comprarão os jornais» e quando chegarem «a Lisboa, ou não há a quantidade de jornais necessários para toda essa procura, ou já não há a venda nesse nível».
O administrador-delegado lembra que a VASP, mais do que «um serviço logístico de transporte distribuído, é um serviço de distribuição e entrega», é parceira das empresas de comunicação social «através do estudo estatístico» porque a «distribuição numa segunda-feira não é igual à distribuição num domingo».
Rui Moura volta ao exemplo do ponto de venda em Sintra ou Cascais, que ao fim de semana vende «muitíssimo menos» porque há menos pessoas que vão para o trabalho e «eventualmente irão comprar o jornal numa papelaria mais perto da sua casa. E mais tarde».
Outro exemplo é o verão, quando as pessoas de determinada região vão para o Algarve e vão querer o jornal a que estão habituadas nas papelarias onde estão a passar férias. «Mas, se nós colocarmos os jornais do verão no inverno, eles vão sobrar e não serão vendidos. Portanto, isto é um trabalho diário», explica o administrador da VASP.
A empresa faz a «recolha das obras, e a recolha das sobras não só permite faturar ao ponto de venda relativamente àquilo que é vendido, mas permite também estudar estatisticamente a reação do público a determinadas publicações, não só no dia da semana, mas no dia do mês, no dia do ano».
Segundo Rui Moura, «não podemos nunca comparar dias da semana com dias da semana, meses com meses, tudo isto tem uma variabilidade muito interessante e um profundo estudo e trabalho estatístico que é feito sempre próximo dos editores».
Rui Moura lembra ainda que «os fenómenos do teletrabalho alteraram os fenómenos de consumo da imprensa» já que «havia pessoas que adquiriam próximo do seu local de trabalho» e que «passaram a adquirir próximo de casa» ou a «não adquirir porque o faziam no caminho para o trabalho».