Três meses depois da saída de Anna Wintour, um dos nomes mais emblemáticos da história da revista, a direção editorial da publicação norte-americana é entregue a Chloe Malle. Com 39 anos e um percurso consolidado no mundo do jornalismo de moda, Malle traz uma nova perspetiva a uma marca que sempre soube reinventar-se. Mas quem é, afinal, a mulher que sucede a uma lenda viva da indústria e que agora assume o leme de uma das revistas mais influentes do mundo?
A saída de Anna Wintour da Vogue deixou uma vaga aberta no lugar da liderança da conhecida revista de moda. Três meses depois, o cargo é assumido por Chloe Malle, de 39 anos, que vem dar uma visão diferente à conceituada publicação. Assume uma missão difícil, tendo em conta que a antecessora era a cara mais conhecida da revista e deixa um grande legado. Mas quem é Chloe Malle e por que razão foi escolhida?
Primeiro, é preciso ter em conta que Malle não cai no mundo da Vogue de paraquedas. Até ao momento era editora da vogue.com – site oficial da Vogue – e coapresentadora do podcast The Run-Through with Vogue.
Ainda que o jornalismo lhe corra atualmente nas veias, chegou a pensar enveredar pela área da saúde. Mas foi através de um estágio no New York Observer que mudou de ideias, tendo passado, como freelancer, pelo The New York Times, por exemplo. Em 2011 entrou definitivamente para a Vogue depois de umas colaborações ocasionais.
É jornalista mas também é escritora. Filha de Candace Bergen, que interpretou Enid Frick, editora da “Vogue” em O Sexo e a Cidade, e Charles Malle, um empresário, a nova diretora da Vogue nasceu em Nova Iorque e cresceu num ambiente que misturava literatura, moda e negócios.
Ainda que a sua herança familiar lhe traga alguma fama, Chloe Malle é bastante discreta no que diz respeito à sua vida pessoal, preferindo concentrar-se na sua carreira. Sabe-se que é casada, tem dois filhos e um cão.
O percurso profissional
A nova cara da revista americana é reconhecida principalmente pelo seu trabalho como jornalista de moda e lifestyle, tendo contribuído com artigos e reportagens para Vogue, The New York Times, The Wall Street Journal, Harper’s Bazaar, entre outras publicações de renome.
A decisão da escolha de Chloe Malle para a Vogue teve como base a sua visão única sobre a indústria, além da sua habilidade de escrever sobre o assunto de uma forma que costuma prender não só os leitores envolvidos no tema, bem como pessoas interessadas nas questões culturais mais amplas que a moda pode refletir. Malle não se limita apenas ao glamour, mas também a explorar o impacto social, político e económico da moda, e como o setor interage com questões como sustentabilidade, diversidade e representação.
Diz quem a lê que a sua escrita é conhecida por ser inteligente, sofisticada e perspicaz, abordando desde temas mais clássicos da moda até às questões culturais contemporâneas, com uma mistura de humor e crítica afiada.
A Vogue faz um roteiro de todo o seu percurso. Quando entrou definitivamente para a revista, em 2011, foi nomeada editora social, «contribuindo numa ampla gama de tópicos, incluindo moda, política, casa e jardim, beleza e saúde». De 2016 a 2023, Malle foi editora colaboradora da revista, escrevendo artigos, supervisionando projetos especiais e trabalhando como editora de sessões.
Em 2023 tornou-se editora da vogue.com. Os números não enganam e mostram o seu empenho: o tráfego direto para o site dobrou, e a plataforma digital da Vogue conseguiu um crescimento de dois dígitos em todas as principais métricas – incluindo visualizações, tempo gasto e produção de conteúdo – em eventos importantes e muito conhecidos do público como a Met Gala e a Vogue World. «Malle tem sido uma peça-chave na expansão da Vogue para novas formas de contar histórias, lançando newsletters lideradas por editores e apresentando publicações anuais de sucesso como a Dogue e o Vogue Vintage Guide. Também elevou ainda mais o perfil da secção de Casamentos da Vogue, tendo conseguido aumentar a produção de conteúdo em 30% e impulsionando um engajamento recorde», escreve a própria revista.
As reações
Foi com Anna Wintour que Chloe Malle aprendeu muito daquilo que sabe sobre o mundo da moda e da própria Vogue. E foi a sua mentora, que agora assume funções de maior abrangência dentro da Condé Nast – empresa que detém a Vogue –, que anunciou a sucessão.
«A moda é a arte de abraçar a mudança, mas algumas mudanças tocam-nos mais profundamente do que outras. Quando chegou o momento de escolher alguém para liderar a Vogue americana, permitindo focar-me no crescimento global da marca e em eventos como o Met Gala ou o Vogue World, sabia que tinha de acertar em cheio. Estou muito feliz por anunciar que Chloe Malle será a próxima diretora de conteúdo editorial da nossa revista nos Estados Unidos, liderando a edição americana e orientando a sua cobertura digital», disse. Numa longa declaração, a maior cara da Vogue continua a explicar a decisão: «Chloe, que chegou à Vogue há catorze anos (...) fez um trabalho extraordinário para aumentar o nosso público digital, conquistando cobertura exclusiva de tudo, desde o recrutamento de Angel Reese para a WNBA até ao casamento de Lauren Bezos, e os seus interesses são tão abrangentes quanto os dos nossos leitores».
Malle reagiu nas redes sociais: «Que grande dia para mim! Estou emocionada e honrada por ser chefe de conteúdo editorial da Vogue americana. Sou muito grata à Anna, Roger e Stan por confiarem em mim para assumir o cargo», escreveu.
«A moda e os media estão a evoluir a uma velocidade vertiginosa, e estou muito feliz – e maravilhada – por fazer parte disso», disse noutra ocasião a nova diretora da Vogue, acrescentando: «Também me sinto incrivelmente sortuda por ainda ter a Anna, logo ali no corredor, como minha mentora». «A Vogue já moldou quem eu sou, agora estou animada com a perspetiva de moldar a Vogue».
Agora todos esperam as mudanças que Chloe Malle pode trazer para uma das mais influentes revistas de moda.