sexta-feira, 13 mar. 2026

"O parto em casa nunca é seguro", diz ministra. Casos estão a aumentar

Em alguns partos em casa o desfecho só não foi fatal graças à intervenção do INEM, sublinhou Ana Paula Martins no Parlamento
"O parto em casa nunca é seguro", diz ministra. Casos estão a aumentar

A ministra da Saúde admitiu, esta quarta-feira, que os partos em casa estão a aumentar, sublinhando que estes nunca são seguros e que alguns só não tiveram desfechos fatais devido à resposta do INEM.

Ana Paula Martins está a ser ouvida hoje no Parlamento, na Comissão Parlamentar de Saúde, e adiantou que foram registados cerca de 150 partos em ambiente extra-hospitalar, ou seja em ambulâncias ou em casa.

"O parto em casa nunca é seguro. É uma opção, mas é preciso dizer que alguns, felizmente, não têm tido desfechos fatais porque o INEM chega a tempo, é acionada a SIV [ambulância de Suporte Imediato de Vida] e faz o parto na ambulância. Senão, teríamos tido desfechos fatais", disse.

Segundo a ministra, em 2022 foram registados 25 partos em ambulâncias, 18 na via pública e 126 no domicílio. Em 2023 houve 18 em ambulâncias, 15 na via pública e 140 em casa, passando no ano seguinte para 28, 17 e 144.

Já este ano, há registo de 32 partos em ambulância, 18 na via pública, um nos cuidados de saúde primários e 103 no domicílio.

A aumentar estão também as grávidas sem acompanhamento durante a gravidez, disse Ana Paula Martins, sublinhando a necessidade de ter rácios de médicos obstetras e de enfermeiros especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica (ESMO) mais adequados à realidade atual.

A governante frisou ainda que é necessário rever, com a Ordem dos Médicos, as vagas para o internato médico: "Não posso ter um serviço preparado para ter cinco internos e ponho 15, mas também não posso ter um serviço preparado para 15 internos e ter só cinco", disse.