segunda-feira, 08 jun. 2026

Última etapa da Volta a Espanha anulada

O episódio teve ainda forte repercussão política, com a oposição a responsabilizar o primeiro-ministro pelo sucedido, acusando-o de incitar protestos após este ter elogiado publicamente as manifestações
Última etapa da Volta a Espanha anulada

A última etapa da Vuelta a España 2025 terminou de forma inédita e caótica em Madrid, depois de ter sido anulada pela organização devido ao bloqueio do pelotão por manifestantes.

Centenas de manifestantes pró-Palestina ocuparam zonas-chave do percurso, como Atocha, Cibeles, Gran Vía e Neptuno, derrubando vedações e impedindo a passagem dos ciclistas. 

Apesar do dispositivo policial de cerca de 1.500 agentes, as cargas das forças de segurança não conseguiram dispersar os protestos. Os manifestantes celebraram o cancelamento como uma “vitória simbólica” contra a presença da equipa Israel-Premier Tech.

Com a corrida neutralizada a 56 quilómetros da meta, a organização confirmou a anulação da etapa final e a cerimónia de pódio em Madrid.

O dinamarquês Jonas Vingegaard foi declarado vencedor da Vuelta pela primeira vez, somando esta conquista aos seus dois Tour de France. O português João Almeida termina em segundo lugar e o britânico Thomas Pidcock em terceiro.

O episódio teve ainda forte repercussão política, com a oposição a responsabilizar o primeiro-ministro pelo sucedido, acusando-o de incitar protestos após este ter elogiado publicamente as manifestações.

Antes de os manifestantes invadirem ruas e de a polícia ser chamada a intervir,  Pedro Sánchez mostrou o seu apoio a quem se manifestava em Espanha pela Palestina, afirmando ter “reconhecimento e respeito absoluto pelos desportistas, mas também por um povo como o espanhol que se mobiliza por causas justas como a da Palestina”.

O líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, acusa o Governo de “ter permitido e ter induzido a não finalização da Volta a Espanha e, desse modo, [ter causado] um momento ridículo transmitido nas televisões de todo o mundo”. 

O presidente do PP disse que defende a liberdade de expressão “sempre que não implique violência nem altercações” e acrescenta: “Não apoio o Hamas. Muito menos quero os seus aplausos.”

A presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Ayuso, responsabilizou Sánchez pelo “incentivo” dado ao “boicote à Vuelta”. O presidente do ajuntamento de Madrid José Luíz Martínez-Almeida disse que os desacatos deram “uma imagem vergonhosa” de Espanha. “A violência venceu o desporto e responsabilizo o primeiro-ministro por isso”, disse.

A polémica ganhou uma dimensão internacional e o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel disse que Pedro Sánchez e o seu governo são “uma vergonha para Espanha”. “Há alguns dias, o primeiro-ministro espanhol lamentou não ter uma bomba atómica para dissuadir Israel. Hoje, encorajou os manifestantes a irem para as ruas. A multidão pró-Palestina ouviu as mensagens de incitação e explodiu com a Volta a Espanha”, escreveu Gideon Saar no X.

Por outro lado, já depois dos confrontos, a vice-primeira-ministra Yolanda Díaz publicou nas redes sociais uma mensagem de “apoio às mobilizações pelo povo palestiniano”. Sem lamentar o ocorrido, a ministra do Trabalho e da Economia disse que “a sociedade espanhola não tolera que o genocídio em Gaza seja normalizado em eventos desportivos e culturais” e defendeu que “Israel não pode participar em nenhum evento” no país.