A NATO confirmou que vários drones, originários da Rússia, violaram esta quarta-feira o espaço aéreo da Polónia, que não tem dúvidas de que se tratou de um teste à resposta dos Aliados . «Foi uma tentativa e uma provocação para testar os mecanismos de funcionamento da Aliança do Atlântico Norte e a nossa capacidade de resposta», declarou Karol Nawrocki, Presidente da Polónia.
O objetivo do Kremlin, segundo Varsóvia, seria avaliar a capacidade de resposta militar dos Aliados e testar a resposta política da Europa e da Casa Branca. O Conselho de Segurança da ONU, a pedido da Polónia, marcou reunião de emergência para discutir esta violação do espaço aéreo para esta sexta-feira.
A situação originou medidas de restrição do tráfego aéreo na fronteira leste da Polónia até dezembro. A pedido dos militares polacos, o tráfego aéreo está encerrado aos voos civis ao longo da fronteira com a Bielorrússia e com a Ucrânia, desde ontem, 11 de setembro, e até 9 de dezembro.
O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, destacou a crescente ameaça de um conflito aberto. Numa declaração ao parlamento polaco, Tusk descreveu o incidente como um «ataque sem precedentes na história da NATO» e afirmou que um grande número de drones no terreno tinha voado diretamente da Bielorrússia. «Esta é a primeira vez durante esta guerra que os drones não vieram da Ucrânia. Não se trata de um erro, de uma confusão entre drones ou de pequenas provocações russas numa escala mínima. Esta é a primeira vez que um número significativo de drones sobrevoa a Polónia diretamente da Bielorrússia», sublinhou Tusk.
O incidente ocorreu durante um ataque russo à Ucrânia, levando à ativação de uma operação conjunta de forças polacas e da NATO para identificar e neutralizar os objetos ameaçadores. F-16 polacos e F-35 neerlandeses foram mobilizados em resposta, enquanto em terra os sistemas Patriot alemães se juntaram à operação. 19 drones foram abatidos, numa invasão que não provocou feridos. «O que vimos foi uma resposta muito eficaz da NATO e dos aliados [...]. Estou impressionado com o seu empenho. A noite passada mostrou que somos capazes de defender cada centímetro do território da NATO, incluindo o espaço aéreo», disse quarta-feira o secretário-geral da NATO, Mark Rutte.
Dada a gravidade da incursão, a Polónia ativou o artigo 4.º da NATO, que prevê uma consulta aos aliados sobre a resposta a dar a uma ameaça à segurança territorial.
Apesar da gravidade do incidente e das consultas com os aliados que, segundo Tusk, «estão a levar a situação muito a sério»,o líder polaco indicou que não é tempo de alarmismo desmedido: «Não há motivo para pânico, a vida vai continuar normalmente».Donald Tusk insistiu na necessidade de tornar mais robusta a defesa aérea polaca e prometeu acelerar o programa de modernização das forças armadas.
Em reação, o Presidente francês, Emmanuel Macron, advertiu Moscovo contra este ato «precipitado», enquanto o chanceler alemão, Friedrich Merz, denunciou a «ação agressiva da Rússia». Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu total solidariedade com a Polónia e anunciou novas sanções contra a Rússia. «Estamos ao lado dos nossos aliados da NATO diante destas violações do espaço aéreo e defenderemos cada centímetro do território da Aliança», prometeu o embaixador dos EUA na NATO, Matthew Whitaker.
Já o Presidente da Ucrânia declarou que a Rússia está a testar os limites da NATO. Volodymyr Zelensky afirmou que o Kremlin não utiliza apenas o território ucraniano e bielorrusso para incursões aéreas, mas também executa campanhas de desinformação para humilhar a Polónia e a Ucrânia.
A Rússia negou ter tido intenções de atacar a Polónia, mas não rejeitou a possibilidade de drones russos terem cruzado a fronteira. Moscovo alegou que os drones não tinham capacidade para atingir a Polónia, colocando o ónus nos sistemas de navegação dos aparelhos. No entanto, Moscovo inicia hoje manobras militares perto da fronteira polaca. O exercício estratégico conjunto Zapad 2025 tem lugar perto da Bielorrússia e do Corredor de Suwalki, a estreita passagem entre Kaliningrado e a Bielorrússia que liga a Polónia e a Lituânia.