sexta-feira, 06 mar. 2026

Polónia invoca artigo 4º da NATO após violação do espaço aéreo por drones russos

As forças militares polocas depressa abateram os aparelhos
Polónia invoca artigo 4º da NATO após violação do espaço aéreo por drones russos

A NATO confirmou que vários drones, originários da Rússia, violaram esta quarta-feira o espaço aéreo da Polónia. O incidente ocorreu durante um ataque russo à Ucrânia, levando à ativação de uma operação conjunta de forças polacas e da NATO para identificar e neutralizar os objetos ameaçadores.

Vários drones foram abatidos e, dada a gravidade da incursão, a Polónia ativou o artigo 4.º da NATO. Este artigo prevê uma consulta aos seus aliados sobre a resposta a dar a esta ameaça à segurança territorial.

O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou o ato, enquanto os EUA reiteraram o compromisso de defender “cada centímetro” do território da NATO.  A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu total solidariedade com a Polónia e anunciou novas sanções contra a Rússia.

Em resposta às acusações, a Rússia negou ter tido intenções de atacar a Polónia, mas não rejeitou a possibilidade de drones russos terem cruzado a fronteira. Moscovo alegou que os drones não tinham capacidade para atingir a Polónia, colocando a responsabilidade sobre os sistemas de navegação dos veículos, alguns dos quais poderiam ter vindo da Bielorrússia. 

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a classificar as ações russas como uma violação sem precedentes do espaço aéreo da NATO. O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, destacou a crescente ameaça de um conflito aberto. 

Numa declaração ao parlamento polaco, Tusk confirmou a decisão de acionar o artigo, tomada após conversações com o presidente do país Karol Nawrocki, que já informou que planeava convocar o Conselho de Segurança Nacional do país dentro de 48 horas. 

Nawrocki descreveu o incidente como um "ataque sem precedentes na história da NATO" e agradeceu aos pilotos e aliados pela sua ação eficaz. "As consultas entre os aliados acabam de assumir a forma de um pedido formal de ativação do artigo 4º do Tratado do Atlântico Norte. O artigo 4.º estabelece que as partes procederão a consultas conjuntas sempre que, na opinião de qualquer uma delas, a integridade territorial, a independência política ou a segurança de qualquer uma das partes estiver ameaçada", explicou o primeiro-ministro polaco durante a sua invertenção no parlamento.

As forças militares polocas depressa abateram os aparelhos que sobrevoavam o espaço aéreo do país, com Donald Tusk a congratular o comando operacional do país.

"A DORSZ aumentou a prontidão das suas forças e meios tendo em conta as informações. Para além dos sistemas terrestres, foram ativados aviões de alerta precoce para operações aéreas. Tratou-se de uma ação da NATO. Dois F-35, dois F-16, helicópteros Mi-17, Mi-24 e um Black Hawk foram desviados para a zona de operação prevista", detalhou o primeiro-ministro no parlamento polaco.

Apesar da gavidade do incidente e das consultas com os aliados que, segundo Tusk, "estão a levar a situação muito a sério", o líder polaco indicou que não é tempo de alarmismo desmedido. "Não há motivo para pânico, a vida vai continuar normalmente. Vamos informar os cidadãos sobre todos os acontecimentos para que haja clareza sobre o que está a acontecer no céu polaco, na fronteira polaca", afirmou.

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