A NATO confirmou que vários drones, originários da Rússia, violaram esta quarta-feira o espaço aéreo da Polónia. O incidente ocorreu durante um ataque russo à Ucrânia, levando à ativação de uma operação conjunta de forças polacas e da NATO para identificar e neutralizar os objetos ameaçadores.
Vários drones foram abatidos e, dada a gravidade da incursão, a Polónia ativou o artigo 4.º da NATO. Este artigo prevê uma consulta aos seus aliados sobre a resposta a dar a esta ameaça à segurança territorial.
O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou o ato, enquanto os EUA reiteraram o compromisso de defender “cada centímetro” do território da NATO. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu total solidariedade com a Polónia e anunciou novas sanções contra a Rússia.
Em resposta às acusações, a Rússia negou ter tido intenções de atacar a Polónia, mas não rejeitou a possibilidade de drones russos terem cruzado a fronteira. Moscovo alegou que os drones não tinham capacidade para atingir a Polónia, colocando a responsabilidade sobre os sistemas de navegação dos veículos, alguns dos quais poderiam ter vindo da Bielorrússia.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a classificar as ações russas como uma violação sem precedentes do espaço aéreo da NATO. O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, destacou a crescente ameaça de um conflito aberto.
Numa declaração ao parlamento polaco, Tusk confirmou a decisão de acionar o artigo, tomada após conversações com o presidente do país Karol Nawrocki, que já informou que planeava convocar o Conselho de Segurança Nacional do país dentro de 48 horas.
Nawrocki descreveu o incidente como um "ataque sem precedentes na história da NATO" e agradeceu aos pilotos e aliados pela sua ação eficaz. "As consultas entre os aliados acabam de assumir a forma de um pedido formal de ativação do artigo 4º do Tratado do Atlântico Norte. O artigo 4.º estabelece que as partes procederão a consultas conjuntas sempre que, na opinião de qualquer uma delas, a integridade territorial, a independência política ou a segurança de qualquer uma das partes estiver ameaçada", explicou o primeiro-ministro polaco durante a sua invertenção no parlamento.
As forças militares polocas depressa abateram os aparelhos que sobrevoavam o espaço aéreo do país, com Donald Tusk a congratular o comando operacional do país.
"A DORSZ aumentou a prontidão das suas forças e meios tendo em conta as informações. Para além dos sistemas terrestres, foram ativados aviões de alerta precoce para operações aéreas. Tratou-se de uma ação da NATO. Dois F-35, dois F-16, helicópteros Mi-17, Mi-24 e um Black Hawk foram desviados para a zona de operação prevista", detalhou o primeiro-ministro no parlamento polaco.
Apesar da gavidade do incidente e das consultas com os aliados que, segundo Tusk, "estão a levar a situação muito a sério", o líder polaco indicou que não é tempo de alarmismo desmedido. "Não há motivo para pânico, a vida vai continuar normalmente. Vamos informar os cidadãos sobre todos os acontecimentos para que haja clareza sobre o que está a acontecer no céu polaco, na fronteira polaca", afirmou.