O governo de França caiu esta segunda-feira depois de chumbada a moção de confiança na Assembleia Nacional. 364 deputados votaram contra, 194 votaram a favor e 26 abstiveram-se. O primeiro-ministro François Bayrou vê-se agora obrigado a apresentar a demissão ao Presidente francês.
Emmanuel Macron emitiu um comunicado em que garante que vai nomear um novo primeiro-ministro nos “próximos dias” e anunciou que “receberá amanhã o primeiro-ministro Bayrou para aceitar a renúncia do seu governo”.
O Presidente gaulês fecha a porta a eleições legislativas antecipadas, que tinham sido reclamadas pela União Nacional. O partido liderado por Marine Le Pen afirma que esta é a única opção para romper o impasse político atual e permitir o funcionamento democrático do país.
Já Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, declarou que a queda de Bayrou representa uma vitória popular e exige que Emmanuel Macron se demita.
François Bayrou utilizou o seu discurso antes ds votação para alertar sobre a gravidade da dívida pública e acusou a oposição de preparar o caos ao derrubar o governo. Destacou ainda que a solução para os problemas financeiros do país exige compromissos e consensos
Na Assembleia Nacional, o primeiro-ministro afirmou que o "maior risco" para a França seria continuar "sem mudar nada", defendendo a moção de confiança como "uma prova da verdade" face à urgência de reduzir a dívida.
"O nosso país trabalha, acredita que está a enriquecer e, todos os anos, empobrece um pouco mais. É uma hemorragia silenciosa, subterrânea, invisível e insuportável", afirmou.
À crise política soma-se a sinais crescentes de agitação social. Um movimento com grande importância, com o nome “Bloquemos Tudo”, convocou uma paralisação nacional para 10 de setembro, e prometeu levar multidões às ruas.