Entre as de vítimas do acidente do elevador da Glória, em Lisboa, estão vários trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O Nascer do SOL sabe que quatro das 16 vítimas mortais eram trabalhadores daquela instituição – dois dos quais pertenciam à Direção de Estudos e Planeamento Estratégico (DIPEP), uma à Direção de Infância, Juventude e Família e outra à Direção da Cultura –, e a estas juntam-se mais dois trabalhadores que se encontram hospitalizados.
Uma situação que levou o provedor da Santa casa da Misericórdia de Lisboa a avançar quase de imediato com um gabinete de suporte emocional e clínico, através da Unidade de Apoio ao Trabalhador, na Avenida da Liberdade. O nosso jornal sabe que essa equipa conta uma equipa multidisciplinar com responsáveis do departamento de recursos humanos. «Como é do conhecimento de todos, este acidente resultou em várias vítimas, algumas das quais mortais, e, infelizmente, entre os passageiros encontravam-se colegas nossos, apanhados de forma absolutamente inesperada por esta tragédia», disse Paulo Santos numa nota interna a que o Nascer do SOL teve acesso.
Horas mais tarde, voltou a enviar nova nota: «Gostaria de ter outras notícias para vos transmitir mas, infelizmente, os nossos piores receios confirmam-se e a Santa Casa está de luto. Lamentavelmente, entre as vítimas mortais do acidente que aconteceu no Elevador da Glória contabilizam-se quatro colaboradores da SCML», deixando ainda uma palavra aos que se encontram hospitalizados.
O Nascer do SOL teve acesso ainda a vários relatos de outros trabalhadores da Santa Casa, uma vez que Elevador da Glória é um meio de transporte frequentemente utilizado por muitos dos que trabalham nesta instituição, com instalações situadas junto ao Miradouro de São Pedro de Alcântara, paragem superior do ascensor acidentado.
A estas quatro vítimas mortais portuguesas junta-se ainda André Marques, o guarda-freio do veículo, que foi a primeira vítima identificada do descarrilamento do ascensor da Glória a ser identificada. «André Marques distinguiu-se pela sua lealdade e dedicação. Há 15 anos na Carris, desempenhou as suas funções com excelência, tendo sido um representante exímio da Carris na história da cidade, contribuindo de forma essencial para a excelência do serviço que prestamos diariamente aos nossos clientes e a Lisboa», reagiu, desta forma, a empresa.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR) estas são as cinco vítimas portuguesas do acidente.
Entre as vítimas mortais já identificadas, há dois cidadãos sul-coreanos e um suíço. O diretor nacional da PJ, Luís Neves, disse ontem que há ainda uma grande probabilidade de existirem dois canadianos, um alemão, um ucraniano e um norte-americano entre as vítimas mortais.
Relativamente a estes estrangeiros que se encontram entre as vítimas do acidente, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou entretanto que a TAP Air Portugal vai colaborar no repatriamento dos respectivos corpos e dar apoio a todos os doentes no regresso aos seus países de origem, bem como ajudar no transporte dos seus familiares.
Quanto aos feridos, o diretor executivo do SNS confirmou que chegaram ao Serviço Nacional de Saúde 23 vítimas fruto do «trágico acidente» em Lisboa, das quais 13 feridos ligeiros e 10 feridos graves. Um deles acabou por não resistir (aumentando para 16 o número de vítimas mortais). Seis estão em cuidados intensivos. Álvaro Santos Oliveira especificou ainda as nacionalidades: três são de nacionalidade portuguesa, um de nacionalidade alemã, um de nacionalidade sul-coreana, uma cidadã suíça, uma cabo-verdiana e uma marroquina.
O menino de 3 anos
O caso que mais emocionou prende-se com um menino de três anos de nacionalidade alemã, resgatado por um polícia. Era, ao que se sabe, a única criança dentro do Elevador da Glória. Inicialmente, foi avançado que tinha perdido o pai no descarrilamento, mas entretanto, já com a família em Portugal, veio da Alemanha para identificar o corpo, apurou-se afinal que estava vivo e entre os feridos levados para o Hospital de São José. A mãe, ainda que o estado seja considerado estável, está internada nos cuidados intensivos. Grávida, foi operada às duas pernas e conta ainda com fraturas no braço e na coluna dorsal.
Relatório para acelerar
Agora é esperar pelos relatórios que estão a ser feitos. O diretor-geral do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Ferroviários (GPIAAF), Nelson Oliveira, disse que foi iniciada no terreno a recolha de indícios e segue-se a análise. O relatório preliminar deve ser publicado no prazo de 45 dias.
O responsável já veio explicar que a investigação do GPIAAF pretende entender as razões técnicas do acidente, com base na segurança do meio de transporte, sublinhando que não se trata de uma investigação judicial. «Os indícios identificados estão em fase de processamento», disse Nelson Oliveira, referindo que os destroços do «veículo número um» serão transportados para um local seguro e sujeitos a peritagens, que serão feitas sob coordenação deste organismo.
Também o diretor da PJ garantiu que todos os elementos disponíveis, incluindo imagens de videovigilância do local, estão já na posse da Judiciária. E a PGR já anunciou também a abertura de um inquérito ao acidente.
Seguradora tem que fazer contas
Agora, a Fidelidade, enquanto seguradora da Carris, disponibilizou uma linha direta de atendimento telefónico em português, inglês e francês, tendo em conta o elevado número de cidadãos estrangeiros envolvidos, bem como equipas especializadas de apoio psicológico. Esta linha está disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Vários feridos em acidentes em Londres e em Berlim
Não foi só Lisboa que viveu uma tragédia nestes primeiros dias de setembro, embora tenha sido a mais grave. Em Londres, o despiste de um autocarro provocou «vários feridos» ao início da manhã desta quinta-feira. Ao todo, foram 17 peões foram atropelados e, desses, 15 foram hospitalizados.
O acidente aconteceu perto da estação ferroviária de Victoria.
Também numa rua de Berlim, um grupo de crianças foi atropelado ao início da tarde por uma viatura automóvel. Segundo as autoridades alemãs, 15 crianças, com idades compreendidas entre os sete e os oito anos, sofreram ferimentos ligeiros e foram transportadas para o Hospital Virchow. Já a professora que os acompanhava ficou em estado grave e foi internada sob vigilância médica apertada. Ter-se-á tratado de um acidente.