O presidente do conselho diretivo do INMLCF, Francisco Corte-Real, estava em Coimbra, na sede do instituto, quando, pelas seis da tarde, lhe chegou a notícia do descarrilamento do elevador da Glória.
Acionou de imediato o «protocolo de desastres em massa», uma equipa de resposta rápida em situações de catástrofe. Por WhatsApp, o meio de comunicação mais ágil, enviou mensagens ao grupo que trabalha na área, e procura voluntários.
Numa corrida contra o tempo, médicos e técnicos forenses de Coimbra, Tomar e Porto, especializados em desastres em massa, oferecem-se. Tal como o resto do país, estão em choque.
Corte-Real é agora o motorista. Recolhe os colegas e dirigem-se para a capital. Durante o trajeto, os telefonemas não param. Uma corrente de solidariedade une a classe.
Ao todo, já são trinta e sete. Pouco depois da meia-noite, chegam ao Instituto de Medicina Legal, onde os esperam os cadáveres das vítimas. Dezasseis. A maioria turistas. O café dá-lhes resistência. A madrugada não tem fim. De manhãzinha, as equipas revezam-se. Em menos de 24 horas, Corte-Real e a equipa concluiram 16 autópsias.