A Sertã, coração da Beira Baixa, é uma vila onde a história e a modernidade se entrelaçam com naturalidade. Conhecida como a “Princesa da Beira”, guarda nas suas ruas, ribeiras e colinas a memória de séculos de vivências, marcada tanto pela espiritualidade conventual como pela cultura popular e pela gastronomia de raiz beirã. Hoje, dois espaços de referência, ambos do grupo Santos & Marçal, traduzem de forma exemplar essa identidade: o Convento da Sertã Hotel e o Restaurante Ponte Velha.
O antigo Convento de Santo António, fundado no século XVII, nasceu como espaço de devoção franciscana. Ao longo dos séculos, foi casa de fé, lugar de contemplação, mas também palco de mudanças sociais e políticas. Durante algum tempo, conheceu a dureza de funções seculares, como a de prisão, mas sobreviveu sempre como marco arquitetónico e patrimonial da Sertã. A sua recuperação e transformação no atual Convento da Sertã Hotel não é apenas um gesto de preservação; é um ato de continuidade histórica. Hoje, quem ali se hospeda encontra não só o conforto de uma unidade hoteleira moderna, mas também a serenidade das pedras antigas, que contam histórias silenciosas de fé, resistência e renovação. É como se o tempo tivesse parado, para que o visitante possa sentir o peso da história ao mesmo tempo que desfruta do requinte contemporâneo.
A poucos passos do Convento, ergue-se o Restaurante Ponte Velha, junto a um dos marcos simbólicos mais fortes da Sertã – a estátua do Padre Manuel Antunes, o grande pensador jesuíta nascido na Sertã, em 1918, e figura de referência da cultura portuguesa do século XX.
Se o Padre Manuel Antunes dedicou a sua vida à reflexão, à educação e à universalidade do pensamento, o Restaurante Ponte Velha presta homenagem à tradição gastronómica da região, reinterpretando-a com modernidade e inovação. Aqui, pratos como o maranho, o bucho, o cabrito, a sopa de peixe à Dona Helena ou as sobremesas regionais, como a tigelada beirã, não são apenas comida — são pedaços de identidade, servidos com inovação e rigor.
Porém, simbolicamente o nome Ponte Velha evoca, naturalmente, a ponte histórica sobre a ribeira da Sertã, que ao longo dos séculos uniu margens, pessoas e destinos. Da mesma forma, o restaurante cumpre hoje essa mesma missão: unir tradição e modernidade, memória e criatividade, tal como a ponte uniu outrora caminhos e viajantes.
Também a ligação entre o Convento da Sertã Hotel e o Restaurante Ponte Velha é, pois, natural e complementar. Um oferece o silêncio acolhedor das pedras centenárias, a experiência única de pernoitar num edifício que é, ao mesmo tempo, património e conforto. O outro, celebra à mesa a riqueza gastronómica e a hospitalidade que são marcas da Sertã e da região centro de Portugal. Ambos são expressão da mesma filosofia: valorizar o passado para o colocar ao serviço do presente, e projetar a Sertã como destino de cultura, de identidade e de autenticidade.
No conjunto, estes espaços não são apenas negócios de hotelaria e restauração: são guardiões da memória e da alma sertaginense. A quem chega de fora, oferecem uma experiência completa — de história, de cultura, de sabor. Aos que cá nasceram e vivem, representam orgulho, pertença e continuidade.
Visitar a Sertã e descobrir o Convento da Sertã Hotel e o Restaurante Ponte Velha é, portanto, muito mais do que uma estadia ou uma refeição. É participar de uma história que vem de longe e que continua a escrever-se, dia após dia, entre claustros antigos, mesas fartas e a inspiração sempre presente do pensamento universal de figuras como o Padre Manuel Antunes.
Docente da Unidade Politécnica do Instituto Universitário Militar
Investigador do HTC – História, Territórios e Comunidades da NOVAfcsh