O juiz Alexandre de Moraes lamentou esta terça-feira que se tenha tentado um golpe de Estado no Brasil. Na abertura do julgamento de Jair Bolsonaro, o magistrado considerou que amnistiar os envolvidos seria uma “cobardia”.
"O país e sua Suprema Corte só têm a lamentar que, mais uma vez, na história republicana brasileira, se tenha novamente tentado um golpe de Estado atentando contra as instituições e a democracia pretendendo-se uma ditadura”, afirmou o juiz brasileiro.
“As instituições mostraram a sua força e sua resiliência", acrescentou o relator do processo, durante a leitura do resumo do caso.
Na opinião do juiz foi feita uma tentativa de golpe de Estado, “atentando contra as instituições” com o objetivo de criar um “estado de exceção”. Prova disso, são as mais de 1.630 ações penais, com já 683 condenados devido ao envolvimento nos ataques às sedes dos três poderes em Brasília a 8 de janeiro de 2023.
A “impunidade” e a “cobardia não são opções para a pacificação”, sublinhou, acrescentando que o não julgamento seria um “incentivo a novas tentativas de golpe de Estado”.
Alexandre de Moraes prometeu ainda: “[Se houver] qualquer dúvida razoável, os réus serão absolvidos”.
A primeira sessão do julgamento que pode levar à prisão por mais de 40 anos de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado foi aberta sem a presença do ex-Presidente brasileiro, que decidiu não comparecer e que se encontra em prisão domiciliária a poucos quilómetros do tribunal.