A situação em Gaza agrava-se. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu continua intransigente no seu objetivo de aniquilar o Hamas, que ainda detém 50 reféns israelitas no enclave.
E é precisamente por estes últimos que os cidadãos de Israel, particularmente os familiares, saíram às ruas em protesto, conscientes de que a conduta do governo do Estado judaico não favorece o regresso dos seus concidadãos que se encontram em cativeiro há já 692 dias. O clima está tenso, com a oposição de Netayahu a apelar à mobilização da população.
As imagens dos protestos que nos chegam de Israel são fortes: mostram estradas cortadas pelos manifestantes e pneus a arder. De acordo com uma notícia do jornal israelita The Times of Israel, a ação «começou às 6h29 [do dia 26 de agosto] - hora em que o Hamas lançou o seu ataque a 7 de outubro de 2023 - com manifestantes a hastear bandeiras israelitas do lado de fora da Embaixada dos EUA em Telavive». «Depois», continua a notícia, «às 7h, os manifestantes passaram a bloquear vários cruzamentos importantes em todo o país, paralisando o trânsito com cartazes a exigir a libertação de todos os reféns e, em alguns casos, ateando fogo em pneus nas estradas».
Foram cortadas várias artérias como a Autoestrada Ayalon em Telavive, a Rota 1 que liga Telavive a Jerusalém e a Rota 2 junto à costa. As manifestações causaram, naturalmente, constrangimentos no trânsito por várias horas. A polícia, citada também pelo The Times of Israel, criticou a atitude dos manifestantes, dizendo que «a liberdade de protesto e expressão não é liberdade para prejudicar a liberdade de movimento de muitas outras pessoas» e avisando que «não será permitido bloquear estradas sem autorização e de forma que possa colocar em risco os utentes da via pública ou prejudicar a liberdade de circulação dos cidadãos».
Na mesma peça, os jornalistas Ariela Karmel e Toi Staff recolheram testemunhos de alguns familiares, entre os quais se destaca o de Einav Zangauker, mãe do refém Matan Zangauker, que diz que Netanyahu tem medo da «pressão pública»: «Temos uma nação maravilhosa, mas não temos governo» e «[s]ó com a nossa força», garantiu, «poderemos chegar a um acordo abrangente e pôr fim à guerra. O governo abandonou [os reféns], mas a nação irá trazê-los de volta!». Também o pai do refém Eitan Horn, Itzy Horn, fez duras críticas ao governo de Netanyahu: «O avanço de um plano para ocupar Gaza enquanto há um acordo [para os reféns] em cima da mesa para o primeiro-ministro assinar é uma facada no coração das famílias e de toda a nação». E Yehuda Cohen, pai de um soldado refém, diz que a maioria dos israelitas quer colocar um ponto final no conflito: «Mais de 80% querem o fim da guerra e um acordo para a libertação dos reféns. Todo o povo de Israel quer o fim deste pesadelo».
O primeiro-ministro de Israel já havia reagido aos protestos que contaram com mais de 400 mil pessoas nas ruas israelitas no domingo, dizendo que «[a]s pessoas que hoje clamam pelo fim da guerra sem a derrota do Hamas não estão apenas a endurecer a postura do Hamas e a distanciar a libertação dos nossos reféns, mas também a garantir que as atrocidades de 7 de outubro se repitam continuamente e que os nossos filhos e filhas tenham de lutar repetidamente numa guerra sem fim». «Portanto», continuou, «para promover a libertação dos nossos reféns e garantir que Gaza deixa de representar uma ameaça para Israel, temos de concluir o trabalho e derrotar o Hamas».