1. Não sabemos quantos habitantes tem o retângulo e as ilhas, nem sequer quantos são os que detêm a nacionalidade portuguesa mundo afora. Não sabemos quantos edifícios ou casas o Estado possui. Não sabemos quantas habitações estão devolutas ou ocupadas indevidamente. Não sabemos quantos dependem do erário público em termos de remuneração, pensão ou negócios. Não sabemos quantos alunos não tiveram professores. Não sabemos atualizar aplicações governamentais de SNS e de Finanças sem estoirarem ou se tornarem mais labirínticas. Desconhecemos o custo do naufrágio socrático e sistema bancário. Os governos legislam às escuras, baseados em perceções e ideologia. Sem conhecer o terreno e sem elementos concretos. Recentemente, inventou-se um superministro ‘toca-a-tudo’. Vai ter de se entender transversalmente com os seus pares, se quiser acabar com uma absurda quantidade de entidades de todas as espécies que pululam no ambiente estatal. Sem contar com as unidades de missão que nunca se reuniram ou produziram algo. O título de Gonçalo Matias é todo um programa que fará a delícia dos nossos ‘Sir Humphrey’ domésticos: ministro-adjunto e da Reforma do Estado. É coisa que já se tentou de mil maneiras. O maior êxito foram as lojas do cidadão. Cauteloso, o ministro quer ter o seu Musk. Vai chamar-lhe CTO (Chief Technology Officer). Plasma a solução encontrada para diretor-geral do SNS. Serve para levar as pancadas que cabem à tutela política. Curiosamente, ninguém se lembrou de extinguir o recente cargo de secretário-geral do governo, criado para efeitos análogos. Para a função foi selecionado o ineficaz inquiridor interno do PSD do escândalo doméstico Tutti Fruti. Costa Neves, um afável pensionista e ex-ministro social-democrata, ainda não produziu nada que se visse. Nem preencheu todos os lugares dos secretários-gerais adjuntos, mantendo os que existiam nos Ministérios. Temos imensas inutilidades e sobreposições em todo o universo de um Estado presente em tudo e que serve para pouco. Estar otimista neste quadro é mais fé do que confiança no raciocínio cartesiano.
2. Aparecer quem defenda a compra de kits antifogos para os C-130 pode parecer coisa da ‘silly season’. A experiência já foi feita há 20 anos. Fracassou. Custou caro e os kits acabaram vendidos como sucata. Estes aviões têm grandes capacidades operacionais testadas. Porém, não foram concebidos para voos rasantes sobre altas temperaturas e turbulência perigosa, gerada por fogos, como os Canadair. Nuno Melo garante que as críticas são especulações e que os aviões acabam de sair das OGMA, renovados e operacionais até 2040. Oxalá o ministro da Defesa tenha razão, que os equipamentos cheguem a tempo e horas, que o concurso não saia furado e que os detratores da medida sejam denunciados por difamação, uma vez verificada a falsidade das suas afirmações. Até ver, as dúvidas são legítimas. Basta lembrar o caso SIRESP.
3. «Cheguei à conclusão de que não devo avançar para uma nova candidatura». Sampaio da Nóvoa anunciou assim que não vai satisfazer o desejo de ódio de socráticos, costistas, bloquistas e outros extremistas de avançar para as presidenciais. A criatura, finalmente, percebeu que teve 23% há dez anos, o que significa que 77% dos eleitores não o queriam. Atualmente, ninguém lhe dava valor a não ser para boicotar António José Seguro, tal é a hostilidade que lhe tem um certo núcleo.