Nuno Melo, candidato a liderança do CDS.
O Governo autorizou a aquisição de dois ‘kits’ de lançamento de calda retardante sobre os incêndios florestais, que vão ser instalados, no próximo ano, em aviões C-130 da Força Aérea Portuguesa (FAP). O retardante é um composto químico, para misturar na água, que consegue fazer um ‘cerco’ às chamas, constituindo uma barreira à sua progressão. Isso permite proteger povoações e dar tempo aos bombeiros para atacar as frentes de fogo em segurança. O uso de corantes ‘pinta’ a floresta, em regra de vermelho, auxiliando a orientação dos meios terrestres.
«Estamos a alterar um paradigma. No final do século XX, o Estado decidiu que a FAP devia estar excluída do combate aos fogos. Hoje, este Governo tem consciência de que a utilização complementar de meios da FAP é um grande benefício para as populações», defende o ministro da Defesa Nacional.
O investimento nos kits não inviabiliza, no futuro, um reforço da frota de Canadair, para a tornar pelo menos comparável à dos outros países mediterrânicos. «Ponderaremos os investimentos a todo o momento, tendo em conta as disponibilidades orçamentais e as capacidades disponíveis do mercado», responde Nuno Melo, quando questionado sobre o assunto.
Para espanto do ministro, o regresso dos C-130 ao combate não é imune a críticas. «Esses kits funcionam mal. São um pulverizador, não conseguem ser uma chapada de água, como os Canadair», avalia Amândio Torres, antigo secretário de Estado das Florestas, que foi diretor nacional de bombeiros da Autoridade Nacional de Proteção Civil, entre 2007 e 2010.
Fonte oficial da FAP refuta esta crítica. Os C-130 devem ser encarados como um «complemento valioso» - e não como substitutos dos Canadair, cuja utilidade é reconhecida no meio castrense. Os bombardeiros canadianos, de resto, são maioritariamente operados por pilotos militares, como é o caso de Espanha. No passado, os Canadair espanhóis atacavam fogos em equipa com os C-130 portugueses, dos dois lados da fronteira e em Marrocos.
A nossa fonte sustenta que o uso de dois aviões permitirá um ataque permanente às chamas, com recurso às bases militares de Ovar e de Monte Real, para incêndios no Norte e Interior Centro, e de Beja, para quando voltar a arder a serra algarvia. Além disso, garante que podem voar a baixa altitude, como os Canadair.
Antigamente, a largada de calda retardante era feita pela rampa traseira. Os novos kits estão preparados para serem lançados pelas portas laterais dos aviões, o que melhora a sua eficiência e a velocidade de operação dos aviões. Os C-130 com kits são comuns no Canadá e nos EUA. O investimento é considerado «muito útil» pelo presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes.