segunda-feira, 08 jun. 2026

Jorge Costa. O eterno 'Bicho' ganhou asas azuis

Homenagens no Estádio o Porto juntaram milhares de adeptos para um adeus final a Jorge Costa.
Jorge Costa. O eterno 'Bicho' ganhou asas azuis

Jorge Costa morreu, na terça-feira, depois de ter sofrido uma paragem cardiorrespiratória no centro de treinos e formação do clube, em Gaia. Ainda chegou a receber assistência no local pela equipa médica dos dragões, mas acabou por ser levado de urgência para o Hospital de São João, onde viria a morrer. Um comunicado emitido pelo hospital portuense informou que Jorge Costa «foi transportado pela VMER de Gaia em manobras de reanimação cardiopulmonar ao Hospital de São João, tendo-se verificado o óbito na Sala de Emergência às 14h17». Tinha 53 anos.

Jorge Costa estava na sua segunda época enquanto diretor para o futebol profissional dos dragões. Mas vamos mais atrás, quando ainda era um craque no campo: Costa chegou a vestir as camisolas do Penafiel, Marítimo, Charlton e Standard Liège e, claro, as cores da Seleção Nacional, onde somou 50 internacionalizações e venceu o Campeonato do Mundo de sub-20, corria o ano de 1991.

Foi, contudo, nos dragões que deixou a sua grande marca no futebol português. Entre 1992 e 2005, somou 383 jogos oficiais, ficando para a história do clube como um dos grandes defesas dos portistas. Foi mesmo aqui, no coração do FC Porto, que conquistou uma Liga dos Campeões, uma Taça UEFA, uma Taça Intercontinental, bem como oito vezes a I Liga, a que se somam outras cinco Taças de Portugal e cinco Supertaças.

Lágrimas pesadas
O velório de Jorge Costa teve lugar na quarta-feira e ficou marcado por várias homenagens no coração do Porto. Os adeptos, visivelmente emocionados, fizeram um memorial, junto à porta n.º 2 do Estádio do Dragão. Já o próprio clube colocou o corpo em câmara ardente, junto ao túnel de entrada para o relvado, no Parque 1. As primeiras horas do velório foram reservadas à família e, pelas 15h00, abriram-se as portas ao público em geral, e até ao correr da noite foram milhares os que quiseram por ali passar para dizer um último adeus honroso e doloroso.

No velório, destaca-se a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, bem como a de Frederico Varandas, presidente do Sporting, Fernando Gomes, presidente do Comité Olímpico de Portugal, Pedro Proença, presidente da FPF, Reinaldo Teixeira (presidente da Liga Portugal) e ainda vários antigos colegas, como Hélder Postiga, Sérgio Conceição, Rui Barros, Raul Meireles, Bruno Alves, Maniche, entre outros.

Reações ao eterno ‘Bicho’
Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a morte do antigo futebolista, a que chamou de «eterno Bicho», que serve de «exemplo para as gerações seguintes» que deixou. «O Presidente da República lamenta a morte do antigo futebolista internacional Jorge Costa, o eterno Bicho do Futebol Clube do Porto, onde era atualmente diretor para o futebol profissional», pode ler-se numa publicação no sítio oficial da Presidência da República. «Um choque esta partida inesperada e precoce do Jorge Costa, um atleta da minha geração e um exemplo de dedicação e entrega às equipas de que fez parte e à nossa seleção nacional», disse, por sua vez, o primeiro-ministro.
Já a Federação Portuguesa de Futebol salienta que Jorge Costa foi um dos «jogadores mais marcantes» de uma «geração fundamental na afirmação do futebol português».

Reinaldo Teixeira refere que o falecimento de Jorge Costa apanhou a todos de surpresa. «Lamento profundamente o falecimento de uma das figuras mais emblemáticas do nosso futebol e do FC Porto. A sua paixão, liderança e dedicação ao jogo deixarão uma marca eterna», lê-se numa nota publicada na Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

O Sporting, por sua vez, destacou numa nota o seu pesar pelo falecimento de Jorge Costa: «Aos familiares, amigos e a todos os que com ele partilharam a vida, o Sporting endereça as mais sentidas condolências, prestando homenagem à sua memória e ao seu contributo enquanto figura do FC Porto e do futebol português».

Na mesma linha, o Benfica recordou o jogador e diretor como «uma figura incontornável do futebol e do desporto nacional, primeiro como jogador, depois como treinador e, mais recentemente, como dirigente» - lê-se num comunicado das águias.

O funeral realizou-se nesta quinta-feira, na Igreja de Cristo Rei, no Porto.