quinta-feira, 22 jan. 2026

Rendimento real das famílias portuguesas regista maior queda da OCDE

Ao contrário de Portugal, na média da OCDE, o rendimento real per capita registou um ligeiro crescimento de 0,1%.
Rendimento real das famílias portuguesas regista maior queda da OCDE

O rendimento real das famílias portuguesas foi o que mais encolheu nos primeiros três meses do ano, segundo os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

«Portugal registou o maior decréscimo (-4,5%) do rendimento real das famílias per capita da OCDE, sobretudo devido à subida dos impostos a pagar, com o Produto Interno Bruto (PIB) per capita também a contrair (-0,6%)», diz o organismo, acrescentando que «esta subida nos impostos aconteceu depois de um decréscimo no trimestre anterior em resultado de mudanças no regime fiscal».

O trambolhão português foi bem superior ao da média dos países que compõem a OCDE, onde o rendimento real per capita aumentou 0,1% nos primeiros três meses deste ano, «refletindo o crescimento do PIB real per capita».

Mas, apesar do crescimento geral do rendimento familiar real per capita, o crescimento não foi homogéneo, tendo em conta que entre os 20 países para os quais há dados disponíveis, metade registou aumento e a outra metade, queda.

Segundo os dados disponíveis, nos países do G7, a maioria viu um aumento no rendimento familiar real per capita no primeiro trimestre. Em Itália recuperou (1%) de uma contração no trimestre anterior. Os Estados Unidos continuaram a crescer (0,5%), impulsionados principalmente pela remuneração dos empregados e pelos benefícios sociais do governo, enquanto o PIB real per capita caiu (-0,3%). França e Canadá tiveram aumentos mais brandos (0,2% e 0,1%, respetivamente), enquanto o PIB real per capita também cresceu (0,1% e 0,4%, respetivamente).

Por outro lado, o Reino Unido e a Alemanha registaram quedas neste rendimento: -1,3% e -0,4%, respetivamente.

Entre outros países da OCDE, o Chile registou o maior crescimento per capita (3,1%), com a queda da inflação ao consumidor e o aumento do PIB real per capita (0,5%). Portugal apresentou a maior queda (-4,5%).

Mas esses valores podem mudar nas próximas estatísticas, tendo em conta que o Governo tem feito algumas alterações. A título de exemplo, as pensões da Segurança Social vão ser pagas esta sexta-feira e já terão em conta as novas taxas aplicadas, no âmbito das novas tabelas do IRS, que «diminuem a taxa aplicada às pensões». E também há mudanças nas tabelas de retenção na fonte do IRS.