«As pessoas de sucesso raramente se sentaram à espera de que as coisas lhes acontecessem. Foram elas que se levantaram e aconteceram às coisas». Leonardo da Vinci
Espero que muitos dos leitores estejam a gozar de descansadas férias. No mar, muitas vezes estamos a relaxar, a boiar e por vezes alguém mais atlético passa a nadar e molha-nos. Normalmente há duas soluções: ou nos mudamos nós, ou então pedimos ao ‘infrator’ para se mudar. Como muitos sabem, o último cenário não é muito realista. Pelo que quem quiser desfrutar do mar tem de tomar o seu destino nas próprias mãos.
Esta analogia é adequada à análise de países como um todo e às relações internacionais. Apesar de haver instituições multilaterais, organizações como a ONU, OMC, OMS, ou até o tribunal criminal internacional, a verdade é que as relações entre países são muito diferentes das relações entre indivíduos dentro de países. Não há polícia, nem leis com força vinculativa absoluta. Assim que cada nação tem de fazer por si, e prosseguir os seus objetivos de forma pró-ativa.
Na minha experiência de meio século (um quarto de cada lado do Atlântico) há uma diferença muito grande no ‘ethos’ europeu e americano. Os europeus deixaram as lições de Leonardo da Vinci, descobridores portugueses e muitos outros, e apaixonaram-se por uma sociedade de regras, tecnocrática que teoricamente guiaria as suas sociedades a uma utopia de progresso económico e social. Assim, tirando os políticos e burocratas de Bruxelas, os europeus focam-se em ser ‘bons alunos’ na esperança de ganhar prémios e distinções e dessa forma progredir. Se algo corre mal, a culpa é ‘deles’. ‘Alguém’ devia resolver este problema. E os problemas do mundo são sempre de algum bode expiatório: Estados Unidos, Capitalismo, Trump… Com essas ‘desculpas’ aceites, e repetidas por todos (incluindo os políticos e reguladores) temos apenas de aceitar que tudo ficará bem e ninguém precisa de mudar nada. Os resultados são claros: a Fig. 1 mostra que desde a crise de 2008, a Eurozona estagnou por volta dos $40,000 USD de PIB per capita.
O ‘ethos’ nos EUA retém o espírito de explorador. O mundo todos os dias traz oportunidades e riscos. E a vida é ganha pelos que se levantam depois de cair, adaptam-se e encontram forma de superar os obstáculos. A figura 1 mostra que nos EUA a queda quer em 2008 quer durante a covid foi maior que na Europa (não há estado social tão forte), mas a recuperação foi mais fulgurante e o progresso continuou a alto ritmo depois da recuperação.
Podem os europeus escolher viver mais como passageiros, e com menos ambição de moldar o seu futuro, ter ferias descansadas e flutuar no mar. Mas quando receberem jatos de água dos pilotos asiáticos e americanos em corrida competitiva, não se poderão os europeus queixar. A escolha é de cada um.