sábado, 24 jan. 2026

Câmara de Faro partilha dados pessoais de organizadores de manifestação pró-Palestina

"É um erro muito grave porque põe em risco a proteção de dados sensíveis, sobretudo num movimento gravíssimo em que se assiste ao crescimento do ódio", diz uma das organizadoras.
Câmara de Faro partilha dados pessoais de organizadores de manifestação pró-Palestina

A Câmara de Faro partilhou com mais de 30 entidades os dados pessoais dos organizadores de uma manifestação de apoio à Palestina, que se realiza esta quinta-feira em Faro, denunciou a plataforma cívica Algarve pela Palestina.

"É um erro muito grave porque põe em risco a proteção de dados sensíveis, sobretudo num movimento gravíssimo em que se assiste ao crescimento do ódio", disse à Lusa uma das organizadoras, Felícia Silva.

O movimento comunicou à autarquia, como é exigido por lei, a realização da concentração através de um 'e-mail' assinado por três ativistas, que incluía os nomes completos, os NIF, os números de telemóvel e as moradas de cada um.

"É uma situação grave quando, de forma completamente negligente e displicente, a Câmara remete um 'e-mail' a todas estas entidades, copiando o nosso 'e-mail' na íntegra para um documento do qual faz um PDF, não retirando os nossos dados", afirmou Felícia Silva.

Os dados terão sido a partilha com mais de 30 entidades públicas e privadas, desde hotéis, à Diocese e até uma empresa de transportes.

Na sequência da partilha, pelo menos duas das subscritoras da concentração dirigiram um email, em nome pessoal, ao presidente da Câmara de Faro, questionando-o "sobre o fundamento da legitimidade da comunicação" dos seus dados pessoais.

No entanto, até às 15h30, não tinham recebido "qualquer explicação ou pedido de desculpas" por parte da autarquia, referiu Felícia Silva à agência Lusa, adiantando que a ilegalidade vai ser objeto de uma queixa à Comissão Nacional de Proteção de Dados.

"A Câmara tem agora um período de 30 dias para responder. Se não houver resposta, ou se a resposta for de que não há justificação para o sucedido, aí seguir-se-á uma participação à Comissão Nacional de Proteção de Dados", adiantou.