O Prof. Costa Silva deu uma entrevista notabilíssima ao programa Janela Global de Márcia Rodrigues, na RTP1. Com clareza, frontalidade e fundamentação singulares, mostrou como esta Comissão Europeia causou e continua a causar danos irreparáveis à Europa, lesando irreversivelmente o presente e comprometendo irremediavelmente o futuro dos europeus.
Ursula von der Leyen age e fala como se a Europa fosse uma quinta dela. Um exemplo expressivo apresentado pelo Prof. Costa Silva é o relacionamento com a China, que é, como se sabe, a segunda economia e a segunda potência intelectual do mundo. Perante a disponibilidade do Governo chinês para um relacionamento económico e tecnológico mutuamente enriquecedor, providencial no presente contexto internacional, o que responde a presidente da Comissão? Responde imiscuindo-se nos assuntos internos de um Estado soberano e de um regime e Governo responsáveis pelo destino de 1 300 milhões de habitantes, Leyen, impõe «sanções contra os responsáveis chineses pelos graves atentados aos direitos do homem, contra as minorias muçulmanas do Xinjiang».
Julgou von der Leyen que estava a falar para os terroristas do Hamas? Pequim respondeu, claro, em prejuízo dos deputados europeus, investigadores e instituições europeias.
Arrogante, manifestando uma absoluta incompreensão pelas funções e responsabilidade que assumiu, a Presidente da Comissão revelou a sua absoluta ignorância sobre a China, civilização, História e tradições de regime político. Von der Leyen sabe lá o que é o Xinjiang e nunca viu seguramente um Uighur. E parece preferir ver o florescente e pacífico Xinjiang invadido e devastado devastado pelo islamismo que cerca e assola a sua fronteira.
Com que legitimidade quer intervir nos assuntos internos de um país soberano? Um país que é, aliás, o país menos proselitista, menos evangélico do mundo? Um Estado que nunca fez, nem faz depender as suas relações externas do modelo político adotado pelos países com os quais se relaciona. Para os chineses não há, nunca houve, um ‘melhor lugar da História’ para onde queiram levar os outros. Inversamente, a China nunca aceitou que lhe impusessem um modelo político. O que não a impediu de experimentar todos os modelos e de ter importado e adotado o que considerou servir para o seu ‘renascimento’ e enriquecimento nacionais
Jean Tirole, Prémio Nobel da Economia, reagiu também vivamente à traição lesa-Europa de Leyen e da Comissão: «A Europa corre o risco de se apagar reduzindo-se a um papel de figurante. Por exemplo, se a China nos ajudar a financiar a nossa transição energética e a reduzir a nossa dependência de carbono três vezes mais rapidamente oferecendo-nos soluções três vezes mais baratas, porque não aceitar? Lutar contra o aquecimento global, contra as mudanças climáticas, é um combate ainda mais complexo com a atitude chocante do Governo de Trump. E se isso passar pela compra das tecnologias chinesas para acelerar a transição, porque não deve a Europa aproveitar?».
Para nós, europeus, como de modo claro deixou dito o Prof. Costa Silva, a alternativa é a Europa, ou von der Leyen e, digo eu, a camarilha incompetente, irresponsável, sumptuosa e gastadora que a serve.