Ozzy Osbourne, o devastado pela droga e pelo álcool vocalista dos pioneiros Black Sabbath, que se tornou a voz rouca e rosnada do heavy metal, morreu terça-feira, aos 76 anos. As razões são desconhecidas, mas sabia-se que tinha Parkinson.
Poucas semanas antes tinha sido o espetáculo de despedida, Back to the Beginning. Anunciado como a «última reverência» de Osbourne , foi a primeira reunião dos Black Sabbath em mais de duas décadas e juntou num palco de Birmingham, cidade natal de Osbourne, dezenas de bandas e artistas em homenagem.
«Que comece a loucura!», disse Ozzy a 42.000 fãs, sentado num trono no centro do palco, recordando clássicos e recebendo aplausos, que continuam nos muitos tributos prestados depois da morte. Os Metallica descreveram-no com um «herói, ícone, pioneiro, inspiração, mentor», Elton John escreveu que «garantiu o seu lugar no panteão dos deuses do rock» e Brian May que o mundo sentirá falta da «presença única» e do «talento destemido» do músico que começou a sua carreira em 1967, quando Geezer Butler, baixista e letrista dos Black Sabbath, formou um grupo e convidou Ozzy, o guitarrista Tony Iommi e o baterista Bill Ward a se juntarem.
Segundo a revista Rolling Stone, o primeiro álbum da banda, homónimo, foi gravado em apenas dois dias em 1969. «Chegámos ao pub a tempo para os últimos pedidos. Não deve ter levado mais de 12 horas no total. É assim que os álbuns devem ser feitos», disse Osbourne.
O disco foi apelidado do ‘Big Bang’ do heavy metal. Lançado no auge da Guerra do Vietname, a capa era uma figura assustadora numa paisagem austera. A música, alta, densa e zangada, marcou uma mudança.
O segundo álbum da banda, Paranoid, que liderou a tabela de vendas do Reino Unido, incluía clássicos como War Pigs, Iron Man e Fairies Wear Boots. A canção Paranoid tornou-se a assinatura da banda. Ambos os discos foram votados no top ten do heavy metal pelos leitores da Rolling Stone. Os Sabbath dispensaram Ozzy em 1979, depois do grupo ter gravado oito álbuns, devido aos problemas com álcool, drogas e lendários excessos, como chegar atrasado aos ensaios e faltar aos concertos.
Osbourne ressurgiu em 1980, a solo, com Blizzard of Ozz e, no ano seguinte, com Diary of a Madman. Entrou duas vezes no Rock & Roll Hall of Fame - com os Sabbath em 2006 e em 2024 a solo. Reconheceu sempre os excessos do seu estilo de vida e das suas letras. «Fiz algumas coisas más na minha vida. Mas não sou o diabo. Sou apenas John Osbourne: um garoto da classe trabalhadora de Aston que largou o emprego na fábrica e foi em busca de diversão», contou.
John Michael Osbourne nasceu em 3 de dezembro de 1948. Foi o quarto de seis filhos e cresceu em Aston, Birmingham, centro da Inglaterra. Sofria de dislexia, abandonou a escola aos 15 anos, teve uma série de empregos e chegou a cumpriu uma breve pena de prisão por roubo. Apelidado ‘Padrinho do Heavy Metal’, preferia o título ‘Príncipe das Trevas’, que usava na conta do X. «Eu nunca, jamais, em tempo algum, me consegui identificar com a palavra ‘heavy metal’ - não tem conotações musicais», afirmou à CNN em 2013.
Osbourne personificava os excessos do metal. Entre as suas façanhas estão ‘snifar’ uma fila de formigas de um passeio e morder a cabeça de um morcego vivo (pensava ser de borracha) atirado ao palco num concerto em 1981. O caso marcaria a carreira: «Em cada entrevista, perguntam-me: ‘A que é que sabe morcego, Ozzy?’. Parece a comida da minha sogra», disse no Today Show da NBC, em 1987.
Os problemas do artista com a bebida e o abuso de drogas também se repercutiram, tendo sido motivo do divórcio do cantor com a primeira esposa, Thelma Mayfair e também de violência e uma tentativa de homicídio à segunda mulher Sharon Arden.
Ozzy foi preso, separaram-se, juntaram-se, voltaram a separar-se e a juntar-se, mas haveriam de ficar juntos. Deixa a esposa, três filhos do primeiro casamento e três com Sharon: Jack, Kelly e Aimee, a família do reality show, The Osbournes (2002-2005), vencedor de um Emmy.
«Olhando para trás, eu deveria ter morrido mil vezes, mas nunca morri», disse Osbourne em 2011. Morreu agora, com o desejo que o funeral seja um momento de gratidão. «É bom lembrar que muitas pessoas só veem sofrimento a vida toda (…) e estrelas do rock como eu temos muita sorte. É por isso que não quero que meu funeral seja triste, quero que seja um momento para dizer ‘obrigado’».