Dezenas de moradores do Bairro do Talude Militar, em Loures, tentaram impedir, esta segunda-feira, a execução de demolições de casas autoconstruídas ordenadas pelo município.
A medida contou com um grande aparato policial e com os moradores a tentarem impedir que as suas casas fossem deitadas abaixo, numa altura em que colchões, eletrodomésticos, sofás e outros bens se encontravam já fora de muitas casas.
A autarquia assumiu a demolição de 64 casas, onde vivem um total de 161 pessoas. “A Câmara Municipal de Loures não permitirá a construção e a continuidade da construção desta realidade que são as barracas no concelho de Loures”, defendeu a vereadora com o pelouro da Polícia Municipal, Paula Magalhães à Lusa.
A vereadora garantiu ainda que os moradores “foram notificados com as 48 horas que a lei obriga”.
Sobre um pedido dos moradores para uma reunião com o presidente da Câmara de Loures, Ricardo Leão, Paula Magalhães disse que “não existe essa necessidade” e que as pessoas foram avisadas e a câmara tem soluções. “Temos soluções, não as que as pessoas procuram, portanto aquilo que as pessoas procuram é um realojamento imediato e não se prevê um realojamento nestas situações, até porque temos uma lista de 1.000 pessoas em espera para realojar e não seria de todo justo passar à frente de quem espera pacientemente por uma habitação, com estas pessoas, muitas delas acabadas de chegar diretamente de um aeroporto para aqui”.
Foram demolidas cerca de 30 casas esta segunda-feira e os trabalhos prosseguem esta terça-feira.
Na Amadora serão demolidas 22 construções ilegais no antigo Bairro de Santa Filomena. Numa resposta enviada à agência Lusa, a autarquia liderada por Vítor Ferreira diz que “estas construções estão a ser demolidas, pois representam um retrocesso nos esforços que o município tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos. O processo de esta segunda-feira está a decorrer com a normalidade possível de um processo exigente como este”.
Já o movimento Vida Justa acusa que “centenas de pessoas residentes nestes dois concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, incluindo crianças, idosos e doentes, serão atiradas para a rua, sem qualquer alternativa habitacional”. O movimento atira que estas demolições “desrespeitam” despachos judiciais. E critica a falta de diálogo com os moradores.