sexta-feira, 17 abr. 2026

Quando os polícias são os heróis dos veraneantes

Pulseiras para idosos e para crianças, e casas vigiadas são algumas das medidas que a PSP e a GNR tomam para tornar as férias mais seguras. Os polícias e guardas destacados de outras partes do país para as zonas de veraneio dormem em esquadras ou em quartéis.
Quando os polícias são os heróis dos veraneantes

Férias para uns significa mais trabalho para outros, pois é necessário garantir a segurança daqueles que estão em território nacional, sendo, por isso, essencial que a PSP e a GNR reforcem as zonas de veraneio – os agentes e guardas deslocados ou dormem em esquadras ou em quartéis. Por exemplo, todos os polícias destacados para o comando de Faro vão dormir à esquadra de Lagos.

Contudo, a segurança dos veraneantes começa, muitas das vezes, com a preocupação no aluguer de casas, pois as forças policiais recebem muitas queixas de fraudes, aconselhando a população a tomar medidas de prevenção. Se antigamente quem ia de férias, muitas vezes ia uns meses antes ao sítio onde queria alugar uma casa, falando com comerciantes, juntas de freguesia e por aí fora, até conseguir a ‘sua’ casa, hoje muito mudou e o aluguer é feito através de plataformas digitais, havendo, por isso, mais espaço para vigarices.

Curiosamente, a GNR e a PSP têm dados contraditórios, no corrente ano, no que diz respeito às burlas no aluguer de casa de férias. A GNR regista um decréscimo dos números até 23 de junho, contabilizando até então 51 queixas. “A Guarda verificou um decréscimo deste tipo de burlas, fruto na incrementação de alertas e medidas de proteção” adotadas, como disse ao i, por email, o tenente-coronel Carlos Canatário. O total de crimes de burla em aluguer de casas de férias, registados pela GNR, foram 238, em 2022; 214, em 2023; e 178 em 2024.

Já a PSP com uma área urbana muito superior tem outros dados: “Nos últimos três anos, a PSP registou 4.267 crimes de burla por falso arrendamento de bens imóveis. É possível observar uma ligeira subida no número de ocorrências participadas de 2022 para 2023, (+328). Já no ano de 2024, constata-se que o número de ocorrências é superior ao ano de 2022, contudo, ligeiramente inferior ao ano anterior, de 2023, com um total de 1.511 ocorrências participadas (-31)”, disse ao i o subintendente Sérgio Soares. No corrente ano, as contas também não são muito animadoras, já que “ao observar os números do primeiro trimestre de 2025 e comparar os mesmos com o período homólogo de 2024, é possível constatar um aumento de cerca de 25%, o que, em valores absolutos, corresponde a mais 77 denúncias registadas, passando de 313 para 390”, segundo Sérgio Soares.

Copos, droga e roubos

As ocorrências policiais no verão não diferem muito do resto do ano, sendo a condução sob o efeito do álcool o principal ‘crime’ detetado, seguindo-se depois o tráfico de droga e os furtos, roubos e burlas. Se há polícias deslocados para as zonas de veraneio, também outros intervenientes ‘ligados’ ao meio fazem o mesmo percurso: carteiristas, dealers e prostitutas mudam de esquina, e assentam arraiais nos locais onde os outros fazem férias.

Para se adaptar os meios às circunstâncias, PSP e GNR destacam elementos do Corpo de Intervenção e da Unidade de Intervenção, respetivamente, além de equipas ligadas à segurança rodoviária, aos aeroportos e fronteiras, mas também apostam em meios alternativos, sendo que as ciclopatrulhas são uma realidade em ambas as forças. A GNR reforça ainda o patrulhamento a cavalo em algumas das suas áreas de competência. Outra particularidade das férias é que chegam a Portugal muitos estrangeiros, sendo por isso necessário ter nas forças de segurança quem os entenda. Como vão lidar com muitos estrangeiros, as forças de segurança destacam para essas localidades agentes e guardas com conhecimentos de línguas. Hoje em dia, “a segurança não se pode dar ao luxo de se descuidar nos pormenores e de acreditar na nossa_Senhora de Fátima como se fazia muito antigamente. Acreditava-se na carolice dos chefes e dos seus subordinados, mas agora é tudo muito mais complexo e é necessário todos trabalharem em rede, havendo, por exemplo, cada vez mais uma ligação entre a PSP e a GNR”, como diz ao i um oficial que prefere o anonimato.

Cuidar dos velhos e das crianças

A questão da segurança, como muitas outras, depende sempre do ponto de vista de quem é o interveniente e de qual a situação. Se é inegável que ninguém gosta de ser multado por ter deixado o carro mal estacionado, embora não prejudique ninguém – este pensamento é um clássico nacional –, ou de ser apanhado em excesso de velocidade, já para não falar quando se vai jantar e se bebeu dois copos de vinho e se é ‘agarrado’ pelas forças policiais, o ‘olhar muda radicalmente quando se precisa de gritar por Polícia. E há três programas que as forças policiais têm levado a cabo e são um sucesso e um descanso para quem está de férias: vigiar a casa que ficou ‘abandonada’, ajudar crianças e idosos a não se perderem.

Comecemos pelas crianças. A PSP tem um programa dedicado aos mais jovens que vai dos 2 aos 15 anos, permitindo aos encarregados de educação solicitarem uma pulseira na esquadra mais próxima, podem fazê-lo através de uma plataforma eletrónica, para que sempre que exista um azar de a criança ficar perdida, quem a encontrar só tem de ligar para o 112 e dizer o código que está na pulseira. A partir daí, a PSP contacta os encarregados de educação. Sérgio Soares, o porta-voz da Polícia, dá um bom exemplo, acontecido em Albufeira, em 2024. “A Polícia foi alertada por um utente do parque de campismo local para a presença de uma criança que se encontrava a deambular sozinha no interior daquele espaço, durante o período noturno. De imediato, uma patrulha da PSP deslocou-se ao local, tendo localizado o menor. Por via de consulta à ficha do programa “Estou Aqui!”, foi possível proceder ao contacto célere com o progenitor”. Segundo os dados oficiais, este programa foi criado em 2012 e já foram atribuídas 655 mil pulseiras, “com destaque para os anos de 2017 a 2024, nos quais o número médio anual de pulseiras atribuídas rondou as 60 mil”.

 Os mais idosos e debilitados também merecem uma atenção especial e ambas as forças têm programas semelhantes. Na PSP, a pulseira do idoso é em tudo idêntica à das crianças e já foram atribuídas mais de 18 mil pulseiras, destacando-se os anos entre 2017 e 2024, “nos quais o número médio anual de pulseiras atribuídas rondou os 3.400”. “Uma chamada para a esquadra da PSP do Porto, já este ano, mudou o rumo de uma história. A bordo de um autocarro, uma mulher idosa seguia sozinha, confusa e desorientada, sem saber ao certo onde estava ou para onde ia. Com um discurso incoerente e visivelmente perdida no tempo e no espaço, a senhora foi acompanhada pelos polícias até à esquadra. Era difícil saber quem ela era, de onde vinha ou quem a esperava — até que um detalhe fez toda a diferença: no pulso, levava uma pulseira do programa “Estou Aqui Adultos!”. Esse pequeno gesto de precaução revelou-se essencial. Com recurso ao código da pulseira, os agentes conseguiram localizar e contactar o marido e o neto da idosa”, conta ao i o oficial da PSP. Diga-se que a ativação da pulseira tem sido maior nos adultos – ambos os programas são válidos para o ano todo.

Por fim, quem vai de férias fica sempre com o coração na boca porque deixou uma casa para trás e agora com a história das ocupações selvagens ainda o temor se agrava. Mas a PSP e a GNR garantem que as casas ‘vigiadas’ – é preciso o proprietário comunicar a sua ausência às forças de segurança – são muito pouco assaltadas. “O programa ‘Residência Segura, consiste no direcionamento de meios humanos e materiais, em regime de exclusividade, com o objetivo de prevenir assaltos a residências, em particular habitadas por idosos situados em locais isolados”, esclarece a GNR.

Como se percebe, muito mudou nos últimos anos.

Conselhos da PSP e GNR para férias seguras antes de alugar a casa

•  Desconfiar dos anúncios em que os preços são abaixo do valor de mercado. Para tal, basta comparar com anúncios de imóveis com características semelhantes e situados na mesma área geográfica;

•  Pesquisar os dados do imóvel na internet (morada, designação do condomínio, dados e contactos do anunciante, entre outros), pois poderão existir referências a burlas anteriores

•  Verificar se o nome que está associado ao IBAN fornecido para o pagamento coincide com o do proprietário/ empresa ou anunciante;

•  Solicitar dados adicionais sobre a habitação: fotos do interior, cópia de contratos de fornecimento de eletricidade, luz ou gás, conferindo os dados de identificação e endereço indicado;

•  Contactar imediatamente o seu banco se o anunciante informar que não recebeu qualquer valor ou que existem problemas no processamento do pagamento, solicitando nova transação. Caso se verifique a existência de fraude, cancele imediatamente o pagamento já efetuado;

•  Guardar todas as trocas de e-mails, fotografias e mensagens, caso o arrendamento não corra como acordado ou tenha sido vítima de burla.

Como ‘defender’ a habitação própria

•  Verifique e feche bem todas as portas e janelas antes de se ausentar;

•  Instale um alarme de intrusão e informe as forças de segurança com jurisdição na sua área de residência;

•  Promova uma cultura de vigilância de vizinhança. Na sua ausência, os vizinhos podem ser os seus olhos e ouvidos, além de ajudarem a dar aparência de atividade à sua residência, esvaziando a caixa de correio ou cortando a relva;

•  Evite divulgar que está de férias, sobretudo através da partilha de fotografias e da sua localização nas redes sociais;

•  Proteja a sua habitação através da utilização de fechaduras resistentes nas janelas
e portas, luzes interiores com temporizador e luzes exteriores com sensores de movimento;

•  Guarde os objetos de valor e dinheiro em locais seguros. Se possível, catalogue-os e anote os respetivos números de série