quarta-feira, 15 abr. 2026

Volta a França. João Almeida é a arma de Pogacar na batalha com Vingegaard

Espera-se uma batalha a dois. Tadej Pogacar venceu a Volta a França por três vezes, enquanto Jonas Vingegaard a conquistou por duas vezes, numa rivalidade que tem marcado o ciclismo nas derradeiras temporadas. João Almeida estará no apoio ao esloveno, o que o afasta da luta pelo 1.º lugar, mas não da corrida ao pódio.
Volta a França. João Almeida é a arma de Pogacar na batalha com Vingegaard

A cidade de Lille protagonizou o início de uma 112.ª edição da Volta a França em bicicleta com um evidente favorito ao triunfo final, que pretende repetir os feitos recentes: o esloveno Tadej Pogacar, da UAE Emirates, formação de João Almeida.

É no esloveno que recaem as maiores expectativas, devido à grande superioridade demonstrada ao longo da temporada, na disputa de clássicas, tendo conquistado o Critério do Dauphiné sem nenhumas dificuldades face ao rival Jonas Vingegaard.

Esse domínio fica também visível após a queda do ciclista dinamarquês durante o Paris-Nice, que o deixou fora da competição por algum tempo, destacando-se na temporada apenas a vitória alcançada na Volta ao Algarve, realizada em fevereiro.

É assim uma batalha a dois que se pode esperar desta Volta a França, iniciada no sábado e que durará até dia 27 de julho, com a habitual meta em Paris, apesar do muito possível tetra de Tadej Pogacar no Tour ser o principal ingrediente da edição.

“Penso que os últimos quatro anos foram muito intensos entre mim e Vingegaard. Acredito que este ano seja mais ou menos semelhante, mas nunca sabemos com os novos ciclistas que estão a aparecer”, frisou Pogacar, antes do início da prova.

Tadej Pogacar venceu três vezes a Volta a França (2020, 2021 e 2024), enquanto o dinamarquês da Visma-Lease a Bike conquistou o evento em 2022 e 2023, numa rivalidade que tem marcado o ciclismo internacional nas derradeiras temporadas.

“Eu acho que posso dizer, sem problemas, que estou mais forte do que nunca. Ter um rival como o Tadej obriga-nos a tirar o melhor de nós mesmos. Sabemos que temos de treinar todos os dias para competir com ele”, afirmou Jonas Vingegaard.

“Fazer parte da história”

No apoio a Tadej Pogacar, vai estar o português João Almeida, com o ciclista de A-dos-Francos a partir para a prova sem expectativas de resultados e com o objetivo único de auxiliar ao máximo o seu líder de equipa até ao quarto título da carreira.

“É uma honra fazer parte da equipa do Tour e ser o último homem de Pogacar. Nós estamos a falar não só do melhor ciclista da atualidade, mas talvez de sempre. E fazer parte dessa história, pessoalmente, dá-me uma motivação extra”, expressou.

Único ciclista na história a vencer as Voltas à Suíça, Romandia e Países Baixos na mesma temporada, João Almeida estreou-se no Tour de França no último ano com um quarto lugar, muito perto de um pódio que apenas Joaquim Agostinho obteve.

O apoio a Pogacar afasta-o da corrida pela vitória, mas não o afasta do pódio, até pelo contrário, já que chega em grande forma, superior a muitos líderes de equipa que se apresentam furos abaixo de Vingegaard e, sobretudo, do favorito esloveno.

Essa ambição está presente, mas não é o objetivo essencial, sendo acompanhado na prova pelo recordista português em grandes Voltas, Nelson Oliveira, que iniciou a sua 22.ª competição de três semanas, nove das quais na corrida em solo gaulês.

O experiente ciclista, de 36 anos, terá um papel secundário na Movistar, liderada pelo espanhol Enric Mas, tendo apenas um objetivo mais concreto de entrar em fugas e disputar uma vitória de etapa, sem quaisquer intuitos específicos na geral.

Neerlandês de amarelo, favoritos seguem de perto

Nas três etapas iniciais disputadas, o belga Jasper Philipsen foi o primeiro a vestir a camisola amarela, ao vencer no arranque, mas uma queda na terceira etapa já o obrigou a desistir. O neerlandês Mathieu van der Poel venceu a segunda etapa e é atualmente o camisola amarela, seguido de muito perto por Pogacar e Vingegaard.

O também belga Tim Merlier venceu ao sprint a terceira etapa, sem modificações de registo na classificação geral, com o esloveno a quatro segundos da liderança e o dinamarquês a seis. João Almeida é 15.º colocado, a 49 segundos de distância.

Uma margem que se explica pelos 39 segundos perdidos logo na etapa inaugural, a par do belga Remco Evenepoel (Soudal Quick-Step) e do esloveno Primoz Roglic (Red Bull-BORA-hansgrohe), incluídos numa segunda linha de favoritos ao triunfo.

Nelson Oliveira ocupa o 108.º lugar ao fim de três etapas, fruto do atraso de quase oito minutos (07.49 minutos) em relação ao pelotão da frente na segunda etapa, o que coloca o ciclista de Anadia a um total de 08.38 minutos na classificação geral.

Inédita subida a Montmartre 

O traçado da Volta a França conta com algumas novidades que prometem mexer com o rumo da Grande Boucle, a começar por uma inédita subida a Montmartre a terminar, na derradeira etapa, a replicar o traçado dos Jogos Olímpicos Paris2024.

Essa alteração pode ser traiçoeira numa etapa que já costuma ser de consagração do vencedor, que terá de se superar numa semana exigente nos Alpes e nas cinco chegadas em alto que a organização desenhou, a anteceder essa chegada a Paris.

Os primeiros dias ficaram marcados ainda pelo assalto de 11 bicicletas da equipa Cofidis, na noite anterior à segunda etapa, que causou prejuízos de cerca de 143 mil euros, uma vez que cada bicicleta tem um custo avaliado em cerca de 13 mil.

Tudo aconteceu de madrugada, com o alvo a ser o camião da equipa, estacionado em frente ao hotel onde se encontravam hospedados, em Bondue, perto de Lille.