quarta-feira, 15 abr. 2026

EUA avaliam manutenção da isenção de vistos com Portugal

José Cesário confirma que Portugal tem «ultrapassado em vários momentos» as regras do programa.
EUA avaliam manutenção da isenção de vistos com Portugal

As políticas de imigração e viagem dos Estados Unidos da América (EUA) estão cada vez mais apertadas e Portugal não está fora da mira. Neste momento, o governo de Donald Trump está a avaliar a manutenção de Portugal no Sistema Eletrónico para Autorização de Viagem (ESTA), um programa que permite a qualquer cidadão, dos países participantes deste sistema, viajar para os Estados Unidos e lá ficar até 90 dias, sem que seja necessário um visto.

A avaliação da participação do ESTA é acionada pelos EUA quando mais de 2% dos cidadãos de um país que viajam com esta autorização fiquem no país para lá dos 90 dias. É o caso de Portugal: de acordo com relatório Entry/Exit Overstay Report, relativo ao ano de 2023, o nosso país apresenta uma  “taxa total de ultrapassagem” de tempo de permanência de 2,30%. No ano anterior, a taxas foi ainda mais alta: 4,75%.

Em declarações ao Nascer do SOL, José Cesário, secretário de Estado  para as Comunidades Portuguesas confirma que Portugal tem «ultrapassado» as regras do ESTA. «Por isso é que já fiz duas gravações, amplamente difundidas nos EUA, a apelar ao cumprimento rigoroso dos 90 dias, porque o não cumprimento pode acabar por pôr em causa a nossa participação no programa». José Cesário adianta ainda que tem havido «contacto regular» com a administração norte-americana já que se trata de um incidente que tem mantido o Governo português «muitíssimo preocupado».

Numa tentativa de mostrar ao governo americano que Portugal está a tentar resolver o problema, no início do mês o ministério dos Negócios Estrangeiros, publicou na rede social X um vídeo sobre o assunto. «O ESTA não permite ultrapassar estes 90 dias. Mesmo que existam atrasos de voo ou outros imprevistos. Se o fizer, poderá ser sancionado ou impedido de futuras visitas aos Estados Unidos, podendo até mesmo ser proibido de entrar no país permanentemente», diz o vídeo.

Esta quarta-feira, as políticas anti-imigração da administração norte-americana foram mais afuniladas. Donald Trump assinou uma lei que proíbe a entrada nos Estados Unidos de cidadãos oriundos de 12 países: Afeganistão, Myanmar, Chade, Congo, Guiné Equatorial (estado-membro da CPLP), Eritreia, Haiti, Irão, Líbia, Somália, Sudão e Iémen.