Governo da Dinamarca considera visita de responsáveis dos EUA à Gronelândia "uma pressão inaceitável"

A Gronelândia espera atualmente pela formação de um governo, após as eleições legislativas de 11 de março. O governo cessante indicou que “não enviou convites para visitas, sejam privadas ou oficiais”
Governo da Dinamarca considera visita de responsáveis dos EUA à Gronelândia "uma pressão inaceitável"

A primeira-ministra dinamarquesa disse esta terça-feira que a próxima visita à Gronelândia de responsáveis dos EUA, que inclui o conselheiro de segurança nacional norte-americano, coloca "uma pressão inaceitável" sobre a Dinamarca.

“Não podemos organizar uma visita privada com representantes oficiais de outro país”, afirmou Mette Frederiksen. “A pressão que está a ser exercida sobre a Gronelândia e a Dinamarca nesta situação é inaceitável. E é uma pressão à qual vamos resistir”, acrescentou.

A Gronelândia espera atualmente pela formação de um governo, após as eleições legislativas de 11 de março. O governo cessante indicou que “não enviou convites para visitas, sejam privadas ou oficiais”.

O conselheiro de segurança nacional dos EUA, Mike Waltz, vai visitar a Gronelândia esta semana, segundo o primeiro-ministro gronelandês, Mute Egede, tal como o secretário da Energia norte-americano, Chris Wright, de acordo com a imprensa norte-americana.

Usha Vance, mulher do Vice-Presidente norte-americano, J.D. Vance, também viajará com uma delegação para participar numa corrida nacional de trenós puxados por cães em Sisimiut, na costa noroeste, entre quinta-feira e sábado. 

“Quando se organiza uma visita como esta e os políticos da Gronelândia dizem que não a querem, não se pode interpretar isso como um sinal de respeito”, afirmou Mete Frederiksen.

Em meados deste mês, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a anexação da Gronelândia aos Estados Unidos ia “acabar por acontecer” e que tal integração promoveria a “segurança internacional”.

A Gronelândia, que é quatro vezes maior do que a França, tem um interesse estratégico devido à localização – encontra-se na rota mais curta para a trajetória de quaisquer mísseis entre os Estados Unidos e a Rússia – e às riquezas minerais.