O dia 11 de março de 2025 ficará para a história como um dia triste para a nossa democracia, em que a teimosia, a irresponsabilidade e o desrespeito pela Assembleia da República e pelos Portugueses da parte do 1º Ministro e do PSD levaram à queda do Governo.
Referi teimosia e irresponsabilidade, porque Luís Montenegro não devia ter apresentado a moção de confiança que sabia à partida que seria rejeitada, ainda por cima, tendo a legitimidade para governar reforçada após o chumbo das moções de censura do Chega e do PCP.
Infelizmente, optou por insistir na apresentação da moção de confiança, com base num problema que não foi criado pela oposição, nem pela comunicação social, mas apenas pelo próprio 1º Ministro que ao ser confrontado com a situação pela primeira vez, não soube conduzir o processo de forma correta, pelo contrário, fê-lo de forma desastrosa, arrastando consigo o PSD e o País para umas eleições indesejáveis.
Também relevo o desrespeito pela Assembleia da República e pelos Portugueses, porque a sessão do Plenário deste dia foi deprimente e vergonhosa, aliás, bem elucidativa da classe política que temos.
Assistimos a um “espetáculo” deplorável, com tentativas simuladas de negociações, interrupções dos trabalhos, pedido de reuniões privadas, subterfúgios para eludir os Portugueses de que estavam a tentar tudo para fazer um acordo, propostas de uma Comissão de Inquérito com um prazo limite de 15 dias e no final acabaram por insistir no erro a troca de poucos dias para a CPI.
Sejamos francos, no cenário político atual, todos sabemos que o resultado de umas eleições antecipadas não vai alterar grande coisa, pois muito dificilmente daí resultará uma maioria parlamentar e o clima de instabilidade política irá manter-se, obrigando o próximo Governo a criar consensos e conseguir entendimentos com partidos da oposição de forma a garantir uma governação estável como o País necessita. Agora, todos já percebemos que Luís Montenegro e Hugo Soares, se voltassem a vencer as eleições, não teriam a capacidade de dar ao País a estabilidade indispensável, pela arrogância e inabilidade política que nos têm evidenciado desde o início da legislatura.
Impõe-se alertar que o que esteve em debate no Plenário da Assembleia da República foi a moção de confiança apresentada pelo Governo, não foi a proposta apresentada pelo PS para a criação de uma CPI. O Governo e o Grupo Parlamentar do PSD tentaram coartar a proposta legitima da criação da CPI, usando-a como arma de arremesso político e como tentativa de justificar a não retirada da moção de confiança que levou à queda do Governo.
Ninguém ficou a ganhar com o triste desfecho, o PS entendeu-se com o PSD para viabilizar a eleição de Aguiar Branco para Presidente da República, viabilizou o Orçamento de Estado e chumbou as moções de censura do Chega e do PCP, não se lhes podia ter exigido mais perante a postura do Governo e do PSD.
Em suma, não se justificava a apresentação da moção de confiança, mas Luís Montenegro escolheu ir de moção em moção até ao trambolhão!