terça-feira, 13 jan. 2026

O agravamento da insegurança em Portugal

As manifestações de sábado passado foram injustificadas e só serviram para agravar o clima de insegurança.

Mark Twain referiu uma vez que há três espécies de mentiras: as mentiras comuns, as mentiras demoníacas e as estatísticas. Recordo-me dessa frase sempre que oiço os partidos de esquerda e a comunicação social invocar as estatísticas para concluir que não há nenhum agravamento da insegurança em Portugal. Isto quando o país assistiu nos últimos tempos a fenómenos nunca anteriormente vistos no nosso país, como o incêndio de automóveis na via pública ou o lançamento de cocktails molotov contra autocarros e prédios. Há bairros nas nossas cidades em que a população tem medo de sair de casa à noite, vivendo assim debaixo de uma espécie de recolher obrigatório, com receio de actos de violência, que são praticados na maior impunidade.
Ora, a população paga impostos precisamente para a que a sua segurança seja garantida. Por isso os cidadãos têm o direito de exigir ao Estado que lhes garanta a sua segurança e o Estado tem o dever de corresponder a essa exigência, através de forças policiais adequadas. Um Estado que não consegue garantir a segurança dos seus cidadãos não é um Estado de Direito, é um Estado falhado. E um cidadão que foi objecto de agressão na sua pessoa ou no seu património não pode ter como resposta a de que não se deve preocupar, porque as estatísticas não estão a demonstrar nenhum aumento da criminalidade.
Assim, perante o agravamento de fenómenos de violência no nosso país, é manifesto que se exige uma presença policial reforçada nas zonas mais inseguras, sob pena de os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos serem postos em causa. E naturalmente que nesse enquadramento podem ser tomadas medidas de polícia, designadamente rusgas e revistas para procurar armas ou droga.
É por isso que não faz qualquer sentido a realização de manifestações contra a actuação da polícia, nem sequer de contramanifestações em sua defesa. A polícia deve poder fazer o seu trabalho na defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos sem ser envolvida numa luta política. E se alguns agentes da polícia se excederem ou cometerem crimes, cá estarão os tribunais para os julgar, não tendo estes o hábito de ser brandos em casos de violência policial.
As manifestações de sábado passado foram por isso injustificadas e só serviram para agravar o clima de insegurança em Portugal. Não é por acaso que logo no dia seguinte surgiu imediatamente no mesmo local uma briga de facas com feridos graves, em virtude de uma discussão sobre a situação política no Bangladesh. Na verdade, a manifestação contra a polícia transmitiu à população a mensagem de que a polícia não iria actuar naquele local nos tempos mais próximos, devido às críticas que os partidos de esquerda lhes estavam a dirigir.
Nesse aspecto, esteve bem o primeiro-ministro quando referiu que as manifestações do passado sábado corresponderam a uma situação em que os extremos saíram à rua, considerando-se como o elemento da moderação no país. Efectivamente, uma vez que o PS foi tomado pela esquerda radical, neste momento é um partido de extrema-esquerda, já não existindo esquerda moderada em Portugal. É por isso que hoje o PS facilmente adere a manifestações extremistas contra a polícia e se junta aos outros partidos de extrema esquerda numa candidatura unitária a Lisboa, encabeçada por Alexandra Leitão. Sabendo-se, no entanto, que os cidadãos de Lisboa estão extremamente preocupados com a insegurança, e que já se viu que a esquerda não consegue resolver este sério problema, esta candidatura pode ter naufragado na Rua do Benformoso.

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