segunda-feira, 09 mar. 2026

Portugal permanece um dos países mais desiguais da UE

Em 2023, cerca de 1,8 milhões de residentes em Portugal encontravam-se em situação de pobreza monetária
Portugal permanece um dos países mais desiguais da UE

Portugal permanece um dos países mais desiguais da União Europeia, com um quinto da população (2,1 milhões de pessoas) a viver em situação de pobreza ou exclusão social. Na ausência de qualquer tipo de transferência social, a pobreza seria de 40,3%.

A constatação é do investigador Carlos Farinha Rodrigues, numa atualização de dados do projeto “Portugal Desigual”, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, divulgada esta segunda-feira. Em 2022, Portugal era o quarto país mais desigual da UE, assinala o autor 

De acordo com o estudo, os indicadores de privação material e social mostram uma evolução positiva. No entanto, alguns aspetos mais sensíveis - como a existência de mais atrasos, motivados por dificuldades económicas, em algum dos pagamentos regulares, pioraram. A isto “não será alheio o agravamento dos preços, em particular os da habitação”,  sublinhou o investigador.

Em 2023, cerca de 1,8 milhões de residentes em Portugal encontravam-se em situação de pobreza monetária, ou seja, auferem um rendimento mensal inferior a 632 euros, sendo que a intensidade da pobreza (que avalia quão pobres são os pobres) manteve-se quase inalterada (25,7%), acima dos 21,7% registados em 2021.

O autor conclui que também a distribuição das prestações sociais é desigual. Em 2022, o total das prestações sociais representava 28,1% do rendimento equivalente das famílias. Destes, 23,7% correspondiam a pensões de velhice e de sobrevivência (a maioria das quais de natureza contributiva) enquanto 4,5% representava outros tipos de prestações sociais.

“Analisando como o total das prestações sociais se distribui ao longo da escala de rendimentos, é possível verificar que 41,9% dessas prestações se dirigia para o último quintil da distribuição (os 20% de maiores rendimentos) enquanto o primeiro quintil da população (os 20% de menores rendimentos onde se inclui a população em situação de pobreza) somente auferia 10,7% do total das prestações sociais”, referiu no documento.

De acordo com a agência Lusa, para o investigador, a explicação desta distribuição “profundamente assimétrica” das prestações sociais tem dois motivos: na importância que as pensões de velhice e de sobrevivência têm no total das prestações e no facto de as pensões contributivas mais elevadas geralmente estarem associadas à parte superior da distribuição dos rendimentos.

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