sexta-feira, 17 abr. 2026

OE25 verde? ZERO  aponta ‘regressão’

Orçamento do Ministério do Ambiente prevê mais de 2,5 mil milhões de euros, mas medidas anunciadas «podem não ser suficientes».
OE25 verde? ZERO  aponta ‘regressão’

É a primeira vez que um Orçamento de Estado (OE) em Portugal aplica o conceito ‘orçamentação verde’, mas nem por isso as associações ambientalistas consideram as previsões para 2025 mais animadoras.

«O orçamento verde baseia-se na metodologia ‘green budget tagging’, que consiste na classificação das receitas e das despesas em verdes, castanhas, mistas ou neutras em relação ao seu contributo para os objetivos climáticos e ambientais», pode ler-se no documento do OE. Na prática, cada área orçamental é classificada como amiga do ambiente (verde), prejudicial (castanha) ou neutra. No total o Governo contabiliza quase 6.000 milhões de euros de despesa ‘verde’ no próximo ano, enquanto a ‘castanha’ não chega aos 3.000 milhões de euros.

Noutra nota positiva, a despesa efetiva consolidada no Orçamento do Estado para 2025 para o Ministério do Ambiente, tutelado por Maria Graça Carvalho, é de 2,53 mil milhões de euros, um aumento de 14,3% face a 2024.  Ainda assim, para a associação ambientalista ZERO, o orçamento está mais a «derrapar para o vermelho».

De acordo com a ZERO, «as medidas mais sonantes são suportadas pela manutenção ou até aumento do consumo de combustíveis rodoviários, o que é claramente inaceitável», acusa.

Continua a associação:_«A proposta do Governo não tem a ambição necessária face à necessidade urgente de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, de travar o contínuo aumento da produção de resíduos, de promover uma gestão sustentável dos recursos hídricos e de adotar um modelo de agricultura que contribua para a restauração da natureza e a coesão social».

ZERO comenta 4 medidas

– Adequação à Lei de Bases do Clima e política climática. A associação refere que «continua a não ser mencionada a restrição da produção e comercialização de combustíveis ou biocombustíveis que contenham óleo de palma ou outras culturas alimentares insustentáveis».

– Passe Ferroviário_Verde. A esta medida a ZERO deu ‘cartão amarelo’. Embora considere a medida positiva «está-se a perder a oportunidade de implementar um verdadeiro passe nacional multimodal, semelhante ao que já existe noutros países europeus».

– Floresta. A ZERO considera o plano florestal «muito generalista e diz muito pouco sobre o que se pretende alcançar em concreto».

– Redução de perdas de água no abastecimento público. ‘Cartão vermelho’ devido à «ausência de fundos específicos para incentivar as entidades gestoras a investir em novas tecnologias para monitorização e deteção de fugas».