sábado, 24 jan. 2026

TdC alerta para deficiências na implementação da revisão da despesa em Portugal

A entidade diz ainda que a implementação da revisão da despesa em Portugal “ainda não se encontra instituída enquanto rotina integrada no ciclo anual do processo do Orçamento do Estado.
TdC alerta para deficiências na implementação da revisão da despesa em Portugal

O Tribunal de Contas (TdC) considera que “após mais de uma década de tentativas para a implementação da revisão da despesa em Portugal, o exercício não conseguiu alcançar um estado de maturidade que assegurasse a sua eficácia enquanto instrumento de gestão financeira do Estado”.

A entidade diz ainda que a implementação da revisão da despesa em Portugal “ainda não se encontra instituída enquanto rotina integrada no ciclo anual do processo do Orçamento do Estado, que permita o escrutínio detalhado, coordenado e sistemático da despesa base, com evidência devidamente quantificada em unidades monetárias e fundamentada sobre o aproveitamento das oportunidades para reduzir ou redirecionar despesa pública”.

E as críticas não ficam por aqui. O TdC afirma também que as instituições internacionais com as quais o Estado Português se tem relacionado no âmbito do exercício de revisão da despesa, nomeadamente a Comissão Europeia e a OCDE, “não têm procedido a uma adequada monitorização dos seus elementos essenciais e práticas adotadas, com prejuízo da correta perceção acerca da realidade portuguesa quanto à efetiva utilização, expectativa de impacto e grau de maturidade daquele instrumento de gestão financeira pública”.

Face a este cenário, o organismo recomenda ao ministro das Finanças que assegure a consolidação do exercício de revisão da despesa com vista “a assegurar a plena integração da revisão da despesa no ciclo orçamental de modo que produza resultados materiais nos próximos ciclos de preparação e elaboração das propostas do Orçamento do Estado para 2025 e anos seguintes”.

Ao mesmo tempo, deverá assegurar a transparência necessária ao exercício de revisão da despesa, “conferindo ampla divulgação pública aos termos de referência e aos relatórios dos grupos de trabalho técnicos constituídos no âmbito do exercício de revisão da despesa, eventualmente acompanhando os documentos de divulgação do Orçamento do Estado”

É também recomendado ao ministério liderado por Miranda Sarmento que apresente de forma detalhada, no âmbito da Conta Geral do Estado, as poupanças orçamentais obtidas com o exercício de revisão da despesa, incluindo a metodologia de apuramento desses impactos, assim como promover a avaliação independente do exercício de revisão da despesa, avaliando não só os resultados obtidos, mas também a forma como os seus aspetos estruturais, nas suas diversas dimensões contribuíram para esses resultados.

As recomendações passam também por promover o progressivo alargamento do âmbito das despesas sujeitas a revisão, “de modo a assegurar que todos os principais agregados de despesa pública são objeto de revisão periódica e que os recursos públicos não são afetos a atividades ineficientes, ineficazes e não prioritárias”, assim como “promover o desenvolvimento de fontes e sistemas de informação que permitam melhorar a base informativa que fundamenta as análises e as opções de política pública geradas no âmbito do exercício de revisão da despesa”.

Já ao gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério das Finanças recomenda que seja concluído o desenvolvimento, em curso, do sistema de monitorização da implementação das decisões de política com origem nos processos de revisão da despesa e de avaliação dos seus impactos orçamentais. E fomentar, no âmbito da Rede de Serviços de Planeamento e Prospetiva da Administração (REPLAN), a partilha de conhecimento e a ampliação das fontes de informação disponíveis para a realização dos processos de revisão da despesa.