terça-feira, 14 abr. 2026

Instituição admite que divulgação de dados de criança e utilização da palavra linchamento foram “um erro"

Diretora executiva do CEPAC denunciou que criança nepalesa tinha sido vítima de “linchamento”, mas Ministério da Educação não tem indícios do caso.
Instituição admite que divulgação de dados de criança e utilização da palavra linchamento foram “um erro"

O Centro Padre Alves Correia admitiu que foi um “erro" divulgar informações sobre a nacionalidade e a idade da criança alegadamente agredida numa escola. Entidade reconheceu ainda que a palavra “linchamento” não deveria ter sido utilizada pela diretora executiva.

"Reconhecemos que o termo linchamento, que foi utilizado, não é o adequado e surgiu enquanto manifestação espontânea face aos contornos da agressão, e assumimos que foi um erro prestar informação sobre a nacionalidade e a idade da criança", lê-se num comunicado do Centro Padre Alves Correia (CEPAC).

A instituição reiterou, no entanto, a existência da agressão ao menor e garantiu que

"os factos e contornos" da situação denunciada pela direção foram transmitidos à Procuradoria da Família e Menores e ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) a quem cabe "o apuramento do ocorrido em sede própria".

Sobre as declarações de Ana Mansoa à Rádio Renascença, onde foi denunciado o caso da criança nepalesa que a diretora executiva atribuiu a motivações “xenófobas e racistas”, o CEPAC esclarece que "surgiram no contexto de uma conversa telefónica, por iniciativa de jornalista da Rádio Renascença, enquadradas no pedido de exemplos que sustentassem a preocupação e perceção de organizações católicas sobre o aumento do discurso de ódio contra pessoas migrantes".

"Desde a divulgação da notícia, o CEPAC teve e tem como prioridade salvaguardar o anonimato e bem-estar da criança", salienta, frisando ser "difícil para as vítimas e testemunhas denunciarem estes casos, e que o foco deverá ser sempre a sua proteção", lê-se no mesmo comunicado.

Sublinhe-se que os esclarecimentos da instituição surgem após o Ministério da Educação ter adiantado que não havia quaisquer indícios de um linchamento contra uma criança nepalesa, numa escola do concelho da Amadora.