segunda-feira, 08 jun. 2026

O multiculturalismo é quando, e como, um homem quiser

Em alguns países, o multiculturalismo é considerado uma forma de colonialismo...

O multiculturalismo afirma que todas as culturas são iguais, têm o mesmo valor e devem, obviamente, conviver juntas. Outra das características do multiculturalismo é que apenas é praticado nos países ocidentais. No resto do mundo, as culturas dominantes desconfiam desta mistura de formas de vida e recusam-na. A igualdade entre homens e mulheres, os direitos das minorias sexuais e a liberdade de expressão são um menu repulsivo para a China, a Rússia, Cuba, Venezuela, Irão, os países árabes e a maioria dos países africanos. Como os valores liberais do Ocidente põem em causa as tradições culturais e religiosas destes países, o multiculturalismo é considerado uma forma de colonialismo. Se uma mulher sair à rua de minissaia ou dois gays se beijarem num país árabe, eles sentem que o acordo Sykes-Picot de divisão do Oriente pela Inglaterra e a França pode ter sido reeditado. E, em vez de verem uns Lawrence das Arábias que estão do lado deles, metem-nos na cadeia.

No entanto, estes mesmo países que abominam o multiculturalismo na sua terra, exigem que se pratique na dos outros. E assim, nessa Europa onde as leis garantem a igualdade entre os sexos e proíbem a poligamia e a mutilação genital feminina, podemos encontrar nas ruas senhores barbudos acompanhados de três mulheres com a cara tapada que empurram carrinhos de bebés, mulheres impedidas de trabalhar ou de serem examinadas por médicos do sexo masculino, mulheres com pavor de sair à rua com roupa da Zara ou os lábios pintados, festas infantis canceladas por causa de uma salsicha, tribunais clandestinos que se regem pela Sharia, cursos de formação de jovens terroristas, e outras peculiaridades que desde o Paleolítico não eram bem vistas na Europa.

E o resultado destes fenómenos multiculturais é que os cidadãos europeus que não apreciam tais práticas começaram a votar na extrema-direita. O multiculturalismo fez assim ressuscitar uma ideologia moribunda por, paradoxalmente, esta o rejeitar. Isto permite que pessoas de esquerda deem um pé de dança com a direita radical no dia das eleições e depois se voltem a sentar na sua cadeira progressista.

Eis um maná para a extrema-esquerda. Outra ideologia troglodita que emerge agora como garantia de que o Fascismo não passará. E como a coerência nunca foi o seu forte, podem num dia defender os direitos das mulheres e dos homossexuais e, no outro, manifestar apoio a países e culturas onde tais direitos são trucidados. Ver a comunidade LGBT manifestar o seu apoio à Palestina, onde os seus congéneres são presos e torturados pelo Hamas, não é mais ridículo do que defender a democracia cubana. É multiculturalismo.

A panela de pressão desta fusão de culturas, caso não estoure entretanto, vai dar um belo cozinhado.