sexta-feira, 17 abr. 2026

Saldo de 6.215 milhões nas administrações públicas até outubro

Até outubro, a receita fiscal aumentou 9,1%, “significativamente influenciada pelo crescimento da receita dos impostos diretos (+12,1%)”.
Saldo de 6.215 milhões nas administrações públicas até outubro

As administrações públicas registaram, na ótica da contabilidade pública, um saldo orçamental ajustado de 6.215 milhões de euros até outubro, subindo face ao período homólogo (+3.494 milhões de euros), mas diminuindo face ao mês anterior (-1.062 milhões de euros).

Esta variação reflete, em termos homólogos, de acordo com o ministério das Finanças “uma melhoria da receita efetiva de 8,9%, em termos ajustados– em grande parte fruto da resiliência do mercado de trabalho (+15,1% de IRS e +11% de contribuições sociais) e um aumento da despesa efetiva de 4,9%, que passa para 7,5% se ajustado do efeito das medidas covid-19 e do impacto do choque geopolítico, fortemente influenciado pelos seguintes fatores: no sentido ascendente, pelas medidas de reforço de rendimentos, pelas prestações sociais, bem como pelo reflexo da inflação nos contratos públicos; no sentido descendente, suplantado pelo anterior efeito, pela redução das despesas associadas à pandemia.

De acordo com os mesmos dados, o impacto das medidas associadas ao choque geopolítico ascendeu, até setembro, a 2.257 milhões de euros. “Deste montante, 927 milhões de euros são medidas com impacto no lado da despesa, de onde se destaca o apoio extraordinário às famílias mais vulneráveis, incluindo o apoio para crianças e jovens e o apoio a setores de produção agrícola. Do lado da receita sublinha-se um impacto de cerca de 1.331 milhões de euros, com destaque para medidas de redução de tributação sobre combustíveis e alimentos”.

Receitas e despesas sobem

Até outubro, a receita fiscal aumentou 9,1%, “significativamente influenciada pelo crescimento da receita dos impostos diretos (+12,1%)”.

Também a receita contributiva subiu 11% face ao mesmo período do ano anterior.

As despesas, excluindo medidas extraordinárias (medidas covid-19 e de mitigação de choque geopolítico), cresceu 7,5%, enquanto a despesa primária (excluindo juros) aumentou 8,2% em termos homólogos.

O gabinete de Fernando Medina explica que o acréscimo na despesa até outubro face ao período homólogo “continua a ser impulsionado pelos salários, aquisição de bens e serviços, investimento e prestações sociais”.

As despesas com pessoal aumentaram 7,7%, refletindo as atualizações transversais remuneratórias dos trabalhadores das administrações públicas, o impacto do aumento da remuneração mínima mensal garantida e o aumento do subsídio de refeição. “Neste âmbito, destaca-se o contributo dos salários do SNS (+8,8%) e da PSP e GNR (+8,9%)”.

Também a despesa com aquisição de bens e serviços aumentou 6%, acelerando face ao mês anterior, destacando-se a evolução no ensino superior (+23,6%) e na administração local (+12,5%).

A despesa com prestações sociais cresceu 16,7% (excluindo pensões, medidas covid e extraordinárias de apoio às famílias e prestações de desemprego), refletindo, em grande medida, a atualização do IAS e as valorizações remuneratórias. “Destaca-se o aumento da despesa com o subsídio familiar a crianças e jovens (+23%), a prestação social para a inclusão (+25,4%), o complemento solidário para idosos (+17,7%) e ainda o pagamento do apoio à renda (até outubro ultrapassou os 154 milhões de euros). Importa também destacar que a despesa com pensões aumenta 3,1% até outubro, encontrando-se influenciada pelo pagamento do complemento excecional a pensionistas em 2022 (sem o qual aumentariam 7,5%)”.

Já a despesa com investimento na administração central e Segurança Social cresceu 15%, excluindo PPP, influenciada pelo efeito base da execução em 2022 da Universalização da Escola Digital, sem o qual o acréscimo seria de 33,7%. Para esta subida concorreu o aumento do investimento no Metro do Porto (+155%), na Ferrovia (+50%) e nas Instituições de Ensino Superior (+68,3%).