domingo, 18 jan. 2026

Número de abortos por opção da mulher ainda vai ser maior

O ano 2022 foi o que registou o maior número de sempre de repetições de aborto por opção. Terceiros filhos têm duas vezes maior probabilidade de serem abortados.
Número de abortos por opção da mulher ainda vai ser maior

A Federação Portuguesa pela Vida (FPV) aponta falhas e inconsistências aos relatórios sobre a IVG da Direção-Geral de Saúde e da Entidade Reguladora da Saúde. Denuncia que os relatórios da IGAS já não referem os resultados das inspeções e deixaram de ter sido feitas análises relativas às complicações associadas à «interrupção de gravidez».

Sobre os números divulgados esta semana pelas duas entidades, DGS e ERS, a Federação considera que o valor registado, de 15 870 abortos por opção da mulher no ano 2022, deve ser revisto em alta como aconteceu nos outros anos. 2022 foi o ano em que se registou o maior número de sempre de mulheres que interromperam a gravidez três ou mais vezes por opção (13 012), ressalvando que, «sendo o número de repetições declarado, pode ser conservador face ao real».

Da análise feita aos dados divulgados, a FPV conclui que as mães grávidas a viver sozinhas têm seis vezes maior possibilidade de abortar (646 abortos por opção por mil nascimentos) do que aquelas que vivem com o pai (96 abortos por mil nascimentos). Também os terceiros e seguintes filhos têm duas vezes mais probabilidades de serem abortados (380 por mil nascimentos, 4 150 na totalidade), do que os primeiro ou segundos (161 por mil nascimentos, 11 760 no total).

Quanto ao crescimento em 15% do número de abortos realizados por opção, a FPV considera este aumento «preocupante». «Ainda mais preocupante é constatar que a taxa de abortos continua a aumentar, assim como as repetições. Em Portugal, no ano de 2022, quase 1 em cada 5 gravidezes terminou em aborto, quase 1 em cada 3 abortos foram uma repetição. Estes números demonstram aquilo que a e as suas associadas verificam no terreno: a total ausência de políticas públicas de apoio às grávidas, sobretudo, às grávidas em situação económica e social mais frágil», lê-se no comunicado. Sobre a possibilidade do fim do período de reflexão (3 dias) e de outras alterações à lei, a Federação acusa o «aproveitamento das fragilidades do SNS para atacar o direito à objeção de consciência e forçar o alargamento dos prazos legais ao arrepio de tudo o que defenderam no referendo de 2007».