Lionel Richie. O artista tranquilo 'como uma manhã de domingo'

Foi com a avó materna que aprendeu a tocar piano ainda novo. Mais tarde, um tio ofereceu-lhe um saxofone e mal sabia ele que isso iria mudar a sua vida para sempre. Apaixonado por ténis e formado em economia, Lionel Richie é um dos artistas norte-americanos mais aclamados do mundo. Diz que a simplicidade é ‘a chavede tudo o que faz’. Esteve em Portugal no último dia 8.
Lionel Richie. O artista tranquilo 'como uma manhã de domingo'

Tranquilo como uma manhã de domingo, tal como canta na canção ‘Easy’, lançada em 1977 - quando fazia parte do grupo americano Commodores -, em 1983 defendia que se deve dançar ‘All Night Long’ para esquecer os problemas, tal como repete no refrão da música com o mesmo nome, lançada já a solo. Defende que a simplicidade «é a chave para o que faz». Um romântico inegável, que presenteou o mundo com clássicos como ‘Stuck on You’ e ‘Hello’, também em 83, ou ‘Say You, Say Me’, três anos depois, Lionel Richie é uma lenda viva, já que por mais que o tempo passe - o cantor tem atualmente 74 anos -, continua intemporal com, até à data, mais de cem milhões de discos vendidos. 

«Gosto sempre de me desafiar e não quero ser colocado em nenhuma caixa», revelou em várias entrevistas ao longo da sua carreira. E foi possível conferi-lo no dia 8, no Hipódromo Manuel Possolo, no Festival Cool Jazz, em Cascais. O artista foi a primeira confirmação do festival que junta artistas de renome e que, por isso, tem como lema «alta mistura e alta qualidade». 

«Eu acho que toda a gente está sempre ansiosa por ouvir que alguém a ama. Se eu puder deixar um legado de amor e paixão, acho que fiz o meu trabalho num mundo que está cada vez mais frio», acredita. Mas afinal, de onde vem a inspiração de Lionel Richie? De que forma o jovem que jogava ténis e estudou economia conquistou os palcos de todo o mundo? 

O crescimento da estrela 

Lionel Brockman Richie nasceu em junho de 1949, em Tuskegee, Alabama, no seio de uma família unida e ligada à música. Apesar do seu pai ser analista de sistemas do exército dos EUA e a sua mãe professora, tanto a sua avó como o seu tio, acabaram por lhe passar o «bichinho» dos instrumentos. O artista passou grande parte da sua infância na casa dos avós maternos no campus do histórico Tuskegee Institute (atual Tuskegee University).  

A sua avó era pianista clássica e foi através dela que começou, precocemente, a aprender a tocar piano. Já o seu tio, vendo a paixão do sobrinho pela música, ofereceu-lhe o seu primeiro saxofone. «Crescendo com o R&B, o Evangelho, a música clássica da minha avó e o pop, Tuskegee foi o pote de derretimento perfeito para as minhas influências como artista», lembra o artista sobre o sítio onde cresceu. A verdade é que Lionel Richie gravitou em torno da música gospel, principalmente porque, a dada altura, pensou em ser padre. Porém, absorvendo depois influências de outros vários estilos afro-americanos, bem como da música country, acabou por seguir outro caminho. 

Mudou-se depois com a sua família para Illinois, onde estudou na Joliet East High School. No entanto, em 1967, acaba por regressar à cidade onde nasceu para estudar economia e contabilidade no Tuskegee Institute. E foi durante o primeiro ano que se juntou a uma banda como saxofonista, compositor e, ocasionalmente, cantor - os Mystics. Com algumas mudanças de pessoal em 1968, os Mystics acabaram por se transformar nos Commodores e o músico passou a ser o vocalista principal. E, a partir desse momento, o céu tornou-se o limite.

 Para a banda, Richie escreveu as canções ‘Easy’ e ‘Three Times a Lady’, e foi também um dos responsáveis pela música ‘Brick House’.

Escreveu também baladas de sucesso como ‘Lady’ para o cantor Kenny Rogers e ‘Endless Love’, música interpretada em conjunto com Diana Ross. O seu primeiro álbum a solo, com o seu nome, foi lançado em 1982 e, com o single ‘Truly’, subiu para o primeiro lugar do Top 5 da Billboard no final do ano, tal como aconteceu com as músicas ‘You Are’ e ‘My Love’. E mais sucessos se seguiram, incluindo ‘Hello’ e ‘Dancing on the Ceiling’. Em 1985, co-escreveu a canção ‘We Are the World’ com Michael Jackson.

Ao longo de uma carreira com mais de 50 anos, o cantor conquistou cinco prémios Grammy, um Óscar, um Globo de Ouro e inúmeros American Music Awards. 

Em dezembro de 2017, foi um dos homenageados do ano no Kennedy Center, juntamente com Gloria Estefan,  LL Cool J, Norman Lear e Carmen de Lavallade.

O artista foi casado duas vezes e tem três filhos, uma delas adotada.