segunda-feira, 12 jan. 2026

Assoberbado

Qualquer que seja a circunstância do indivíduo, o caminho ‘certo’ é aquele que, suportado pela informação que tem até ao momento, entende que o levará ao resultado.
Assoberbado

Quanto ao leitor eu não sei, mas do meu ponto de vista, o dia-a-dia do comum dos portugueses é ruidoso e extremamente estimulante. Para isso, nada melhor do que ‘silenciar’ o exterior com autoconfiança.

Entre uma caixa de email inundada, um telemóvel sempre a tocar, ou pessoas constantemente a entrar e a sair do seu espaço de trabalho, é extremamente difícil não ficar assoberbado com o ruído em seu redor.

Como bem sabe, a produtividade está dependente da sua capacidade para, dentro do que é requerido do leitor, materializar com qualidade um produto ou serviço. A qualidade está diretamente correlacionada com o tempo que é dedicado única e exclusivamente, focado, a determinada tarefa. Como já sabemos, é hoje particularmente provável não ter reunidas as condições no seu trabalho para se focar da referida forma, e a consequência é menor produtividade, resultados mais demorados, e alguma frustração.

Cal Newport, no seu conhecido livro Deep Work, onde descreve detalhadamente o desafio mencionado anteriormente, apresenta algumas soluções. Entre a eliminação de distrações por via de um horário de trabalho em contraciclo (iniciar o trabalho bastante mais cedo ou bastante mais tarde), ou colocar o telemóvel em modo de avião durante os momentos críticos, eu adiciono algumas estratégias.

Em primeiro lugar, recorreria à repartição dos dias da semana em categorias de trabalho. Ou seja, dedicaria um dia apenas para responder a emails e resolver burocracias, ou assuntos relacionados com produção de documentos; outro para reuniões e prospeção, tanto com clientes como com a equipa; outro para gestão financeira e contabilidade; por aí em diante. Concentrar as tarefas do mesmo tipo (ou semelhantes) no mesmo dia permite aumentar o ritmo e eficiência do trabalho que, com menos ruído e mais concentração, o farão atingir a meta mais rápido, menos cansado, e com melhor resultado.

Em segundo lugar, e talvez o mais importante de entre as minhas enumerações, reforçar a sua autoconfiança. Eu sei que as críticas nem sempre construtivas podem ter um argumento lógico, e que são tantas as diferentes ideias, que é difícil garantir que a nossa via é efetivamente certa. Ora, um sábio professor universitário da minha passagem por Lisboa diria que «nem a verdade é uma, nem o caminho é certo. E no incerto, há várias respostas corretas, umas mais do que outras».

Quer-se com isto dizer que, qualquer que seja a circunstância do indivíduo, o caminho ‘certo’ é aquele que, suportado pela informação que tem até ao momento, entende que o levará ao resultado. A dúvida é uma verdadeira pandemia. Não confiar em si próprio e na sua experiência empírica levá-lo-á a mover-se em ciclos.

Todos os caminhos levam a Roma. Uns mais rápidos, outros mais eficazes. O melhor é ir por aquele que, no seu julgamento (e com os seus ‘botões’), entende que reproduz o que precisa. O restante é ruído.

A autoconfiança permite-lhe caminhar, o silêncio permite ir mais a fundo e mais longe nos assuntos, mais rapidamente. A profundidade do seu pensamento e do seu resultado exprimir-se-ão fortemente no sucesso daquilo a que se propõe. Autoconfiança, ao serviço do seu pensamento crítico, é a ferramenta mais importante de trabalho e de viver.

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