terça-feira, 10 mar. 2026

Mais de 50 mil famílias de Lisboa vivem em condições indignas

Estudo estima que 62% das famílias que habitam na Área Metropolitana de Lisboa não têm acesso a habitação nas atuais condições de mercado e que as restantes correm o risco de deixar de ter. 
Mais de 50 mil famílias de Lisboa vivem em condições indignas

Mais de 50 mil famílias da Área Metropolitana de Lisboa (AML) vivem atualmente em condições indignas.

A informação foi avançada esta terça-feira, como resultado do "Diagnóstico das Condições Habitacionais Indignas na Área Metropolitana de Lisboa", apresentado na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa. 

O relatório indica que dos 50 mil agregados, mais de metade vivem em situação de insegurança e insalubridade e cerca de 20% em condições de precariedade, sendo que, um quinto das famílias da AML tem um encargo superior a 400 euros com a renda da casa (sem contar com outras despesas) ou prestação (excluindo seguros, condomínios, etc.), o que representa o dobro da média nacional.

Ou seja, muitas das famílias já estão acima dos 40% do seu rendimento usado em despesa com habitação, e os autores do estudo consideram que isso "coloca em risco o desenvolvimento futuro da AML" e que o quadro agravar-se-á se nada foi feito perante a atual conjuntura. 

O estudo estima que 62% das famílias não têm acesso à habitação nas atuais de condições de mercado - ou seja, não encontram habitação sem despender mais de 40% do seu rendimento - e que os restantes correm o risco de deixar de ter acesso. 

O estudo, descrito como "inédito" e "o primeiro levantamento das condições habitacionais indignas realizado à escala metropolitana", foi produzido para a AML por uma equipa da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, liderada por Ana Pinho, Luís Carvalho e David Vale.

Os autores escolhem, face a este cenário, "duas palavras-chave: urgência e necessidade".