quarta-feira, 13 mai. 2026

Conselho de Deontologia da Ordem dos Advogados dá seguimento a partipação disciplicar contra director da PJ

As declarações de Luís Neves “são tanto mais graves quanto são proferidas por um funcionário público que dirige uma polícia de investigação criminal”.
Conselho de Deontologia da Ordem dos Advogados dá seguimento a partipação disciplicar contra director da PJ

O Conselho de Deontologia de Lisboa da Ordem dos Advogados (CDLOA) criticou, esta quinta-feira, as declarações do diretor da Polícia Judiciária, feitas à Rádio Observador, e confirmou que participação disciplinar, apresentada pelo bastonário dos advogados, “seguirá agora a devida tramitação”.

"O Conselho de Deontologia de Lisboa repudia veementemente as considerações do Senhor Diretor da Polícia Judiciária, o qual, na sua qualidade de funcionário público, que bem vincou na aludida entrevista, está obrigado ao dever de correção", lê-se no comunicado daquele organismo.

As declarações de Luís Neves “são tanto mais graves quanto são proferidas por um funcionário público que dirige uma polícia de investigação criminal”, afirmou a presidente do Conselho de Deontologia de Lisboa.

Para Alexandra Bordalo Gonçalves, o diretor da PJ dá “um péssimo exemplo aos inspetores da Polícia Judiciária quanto à observância da lei, nomeadamente no que diz respeito à presunção de inocência e ao respeito que é devido a todos os cidadãos”.

Em causa estão as palavras do diretor da PJ que disse existir nos processos de criminalidade económico-financeira um "terrorismo judiciário, com recursos permanentes e incidentes processuais que entorpecem os autos" até uma decisão final.

Luís Neves responsabilizou assim os advogados, sublinhando  que é uma das causas para a morosidade da justiça e defendeu mudanças na lei para evitar que os advogados possam recorrer a expedientes dilatórios que arrastam processos.

Alexandra Bordalo Gonçalves, considera que as declarações do director da PJ, “para além de atacarem o bom nome dos advogados e de denegrirem a sua missão de defender os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos no Estado de Direito, pretendem diminuir, corroer e abafar os direitos de defesa dos arguidos que estão consagrados constitucionalmente”.

As palavras de Luís Neves são “aparentemente gratuitas”, afirmou ainda a responsável, sublinhando que “não foram recebidas neste Conselho participações de qualquer tribunal quanto a manobras dilatórias de advogados, que conduzissem ao entorpecimento ou denegação da justiça em processos daquela natureza”.

"Desconhecem-se os números nos quais o diretor se baseia, ou sequer se possui números que permitam concluir em que processos ocorreram a prescrição, porque o arguido, devidamente assistido por advogado, usou os mecanismos legais à sua disposição para exercer a sua defesa", acrescentou Alexandra Bordalo Gonçalves, que lembrou que a inscrição de Luís Neves na Ordem dos Advogados está suspensa desde 1995.