segunda-feira, 12 jan. 2026

Sucessão de Eduardo Vítor agita PS no norte... e no sul

É dos autarcas mais carismáticos do PS e, por isso, dos mais difíceis de suceder. Mas não faltam candidatos, de todas as frentes internas do partido. Com o Largo do Rato também na mira.
Sucessão de Eduardo Vítor agita PS no norte... e no sul

Apesar das eleições para a liderança das federações e concelhias socialistas só estarem marcadas para o outono, os motores socialistas das próximas disputas internas já roncam e prometem aquecer. Prepara-se o terreno para 2025, pois em algumas distritais antecipam-se lutas que terão mais a ver com problemas locais, como as candidaturas autárquicas, do que propriamente lógicas nacionais, onde se opõem tendências internas do partido. Mas há casos em que tudo se conjuga e se joga.

No panorama das guerras pelo poder das câmaras municipais, os que estão de saída poderão ter a tentação de deixar os lugares aos seus delfins, mas não podem atravessar-se no caminho de quem tem poder efetivo para nomear os candidatos nas listas às autárquicas. Com este pano de fundo, salta à vista o norte do país, onde um dos processos mais difícieis de resolver é sucessão do carismático líder de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues.

O socialista foi eleito pela primeira vez presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, no distrito Porto, em 2013, tendo sido reeleito para um segundo mandato em 2017 e para um terceiro e último mandato em 2021. Assumiu uma Câmara que antes tinha sido presidida durante 16 anos pelo antigo líder social-democrata Luís Filipe Menezes e pintou o mapa concelhio totalmente de cor-de-rosa, tendo feito o pleno em 2017, ao conquistar uma maioria absoluta e quase dobrando o número de vereadores eleitos: conseguiu nove, quando em 2013 tinha conquistado cinco.

De saída da autarquia em 2025, já se apresentam no caminho três potenciais candidatos à sua sucessão. Ao que o Nascer do SOL apurou, João Paulo Correia, atual secretário de Estado da Juventude e do Desporto é, segundo fontes conhecedoras da realidade da concelhia, «o candidato preferido dos militantes».

Anterior presidente da união de freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, a maior de Vila Nova de Gaia com cerca de 50 mil habitantes num universo de 300 mil gaienses, já deu provas da sua capacidade em conseguir resultados. Não esquecendo que é um nome próximo da ministra Adjunta, Ana Catarina Mendes, de quem foi vice-presidente do grupo parlamentar do PS na anterior legislatura, e que agora a acompanha como ministra na Secretaria de Estado do Desporto. 

Na outra frente de combate, está Miguel Lemos, sobrinho do histórico José Lemos, próximo da ala pedro nunista do PS e atualmente presidente da empresa municipal Águas de Gaia.

«Apesar de não evidenciar grandes ambições políticas, é um jovem com bastante experiência das lides partidárias. Para alguns, é mesmo esse o problema que tem: a ligação ao aparelho e a juventude que alia a uma baixa notoriedade», descreve uma fonte socialista ao Nascer do SOL.

A terceira, uma surpresa que tem vindo a evidenciar-se nas hostes socialistas: Marina Mendes, vereadora da Ação Social e da Educação na Câmara de Gaia, com proximidade às tendências internas mais conservadoras do partido. Em 2017, teve uma promoção visível ao passar de nona na lista do PS à Câmara para um relevante terceiro lugar, sendo a primeira mulher na lista.

Apesar de manter uma maior proximidade a Eduardo Vítor Rodrigues pelo trabalho desenvolvido em proximidade na Câmara, segundo apurou o Nascer do SOL, não desperta ainda nas bases a notoriedade necessária para conquistar o eleitorado e lhe suceder à frente da autarquia.

Perante estes três possíveis candidatos, na distrital do Porto liderada por Manuel Pizarro, o nome de João Paulo Correia parece ganhar peso. Mas nada está decidido. 

«Em 2025, o PS quer manter as câmaras que foi conquistando ao PSD e João Paulo Correia é o candidato que oferece melhor garantia de sucesso, porque alia os resultados eleitorais que já obteve na maior freguesia de Gaia à notoriedade e visibilidade que lhe deram as intervenções na comissão parlamentar do Novo Banco e a notoriedade do cargo que agora ocupa na secretaria de Estado», justifica a mesma fonte.

Depois, fica por saber qual a preferência de Eduardo Vítor Rodrigues. Mas alguns socialistas arriscam-se a adivinhar que o seu posicionamento deverá cair a favor do atual secretário de Estado da Juventude e do Desporto, dada «a amizade que o liga há décadas a João Paulo Correia», mas também pelo cargo que o autarca de Gaia assume na vice presidência da federação distrital do Porto, devendo alinhar pela posição de Manuel Pizarro.

Mas nem só no Norte a agitação se faz sentir. Em vésperas de rentrée socialista, ninguém quererá que disputas locais no PS abafem a tentativa de António Costa para relançar o Governo no arranque do ano legislativo e mostrar uma liderança arejada. As estruturas tudo farão para não ofuscar o regresso do líder, mas isso não significa que estejam suspensas as inimizades locais e a lealdade a Pedro Nuno Santos, que continua a estender a sua influência no aparelho socialista, de norte a sul.

Leia também

Lei laboral: Reunião do primeiro-ministro com CGTP adiada pela segunda vez

A estrutura sindical convocou para esta terça-feira uma manifestação, com início pelas 14:30 horas, no Largo de Camões seguindo para a Assembleia da República
Lei laboral: Reunião do primeiro-ministro com CGTP adiada pela segunda vez

Portugueses pedem ajuda ao Governo para sair do Irão

Já morreram mais de 500 pessoas em protestos pelas condições de vida no Irão. Paulo Rangel garante que o governo está a acompanhar a situação de todos os portugueses que residem no país iraniano
Portugueses pedem ajuda ao Governo para sair do Irão

Presidenciais. Participação é mais elevada nas zonas urbanas e nas classes mais altas

Estudo da Fundação Manuel dos Santos alerta que tem havido “um declínio persistente da participação nas eleições presidenciais desde a década de 1990”.
Presidenciais. Participação é mais elevada nas zonas urbanas e nas classes mais altas