segunda-feira, 12 jan. 2026

Grávida terá perdido bebé por falta de obstetras no hospital das Caldas da Rainha

Hospital abriu um inquérito, o Governo fala em constrangimentos “impossíveis de suprir" e Ordem dos Médicos avisa que estes casos podem repetir-se.
Grávida terá perdido bebé por falta de obstetras no hospital das Caldas da Rainha

Uma grávida perdeu o bebé alegadamente por falta de obstetras no hospital das Caldas da Rainha, uma situação que já levou à abertura de um inquérito.

O Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Oeste confirmou, em comunicado, na quarta-feira, a urgência obstétrica do hospital das Caldas da Rainha teve constrangimentos no preenchimento da escala médica, o que determinou o encerramento da urgência ao CODU/INEM, após a definição de circuitos de referenciação de doentes com outros hospitais.

“Confirma ainda que se verificou uma ocorrência grave com uma grávida, tendo sido determinada a abertura de um processo de inquérito à Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS), no sentido de apurar o sucedido e eventuais responsabilidades”, lê-se no comunicado citado pela RTP.

Na sequência da notícia, avançada esta sexta-feira, o Ministério da Saúde já veio admitir, numa resposta à agência Lusa, que houve "constrangimentos na escala de ginecologia obstetrícia, impossíveis de suprir" e que, por isso, a urgência do Centro Hospitalar do Oeste estava "desviada para outros pontos".

A tutela garantiu ainda "acompanhar o tema, em especial a evolução da situação clínica da utente que está internada no hospital, que se encontra estável e a quem será prestado apoio psicológico".

A Ordem dos Médicos também já reagiu à situação, lamentou a morte do bebé e sublinhou que estes casos podem repetir-se devido ao encerramento de urgências por terem as equipas desfalcadas.

“Nós temos que ter a noção de que não se pode ter equipas desfalcadas e encerramentos de urgências sem consequências, e as consequências advêm de uma crise que já se arrasta há mais de três anos e para a qual temos repetidamente chamado a atenção”, afirmou o presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, à agência Lusa.

Alexandre Valentim Lourenço afirmou que é preciso “interrogar quais serão as medidas [a tomar] e porque é que essas medidas não terão sido tomadas, sabendo nós que esta situação é estrutural e afeta múltiplas maternidades na região sul do país”.

Leia também

Doentes urgentes esperam pelo menos oito horas para primeira observação no Amadora-Sintra

Para doentes não urgentes, os tempos de espera podem ultrapassar as 14 horas. Esta situação estende-se principalmente desde o fim de semana, tendo sido este o hospital que revelou os maiores tempos de espera
Doentes urgentes esperam pelo menos oito horas para primeira observação no Amadora-Sintra

Túnel do Marão encerrado a partir das 20h30 de terça-feira para simulacro

O anúncio foi feito por parte da Câmara de Vila Real, que garante existir rotas de desvio no período de encerramento nos dois sentidos.
Túnel do Marão encerrado a partir das 20h30 de terça-feira para simulacro

Homem detido por abusar sexualmente de sobrinho menor que estava ao seu cuidado

Suspeito já tinha antecedentes por crimes sexuais. Caso foi denunciado pela CCPJ.
Homem detido por abusar sexualmente de sobrinho menor que estava ao seu cuidado