sexta-feira, 13 fev. 2026

Sindicato Independente dos Médicos afirma que prémio de desempenho "revela um desprezo profundo pelos profissionais de saúde"

"Exigimos que o Governo esclareça quantos profissionais serão abrangidos. O SIM exige verdade e seriedade, e que acabe a propaganda e o faz de conta", é possível ler no comunicado publicado no site oficial do sindicato.
Sindicato Independente dos Médicos afirma que prémio de desempenho "revela um desprezo profundo pelos profissionais de saúde"

"A compensação aos profissionais de saúde envolvidos no combate à COVID-19 determinada pelo Decreto-Lei n.º 101-B/2020 exclui na prática a quase totalidade dos profissionais de saúde, ao contrário do espírito dos partidos que no parlamento aprovaram por unanimidade uma lei que o Governo deveria ter regulamentado em agosto", começou por explicitar o Sindicato Independente dos Médicos (SIM), num comunicado publicado no seu site oficial, este domingo.

Em primeiro lugar, a entidade deixou claro que a compensação se refere "apenas à vigência do estado de emergência que vigorou entre 19 de março e 2 de maio de 2020, num total de 45 dias", sendo que, na sua ótica, "os requisitos estabelecidos por aquele decreto-lei excluem também milhares de profissionais de saúde do SNS ao restringir as áreas, unidades e departamentos incluídos nos critérios de atribuição do prémio de desempenho e majoração do período de férias". Por outro lado, avançou que a definição do exercício de funções "de forma continuada" leva à exclusão de milhares de outros profissionais ao obrigar, no mínimo, a 30 dias de trabalho em Área Dedicada à COVID-19 num período de 45 dias. "Ou seja, os profissionais de saúde do SNS, nomeadamente os médicos, que trabalharam todas as seis semanas em Área Dedicada à COVID-19 com a periodicidade de dois, três ou quatro turnos semanais de 12 horas por dia estão excluídos da atribuição do prémio de desempenho pelo facto de não atingirem o total de 30 dias", é possível ler no texto.

"De facto, dos médicos hospitalares só estarão incluídos os médicos das unidades de cuidados intensivos ou enfermarias COVID-19 e os que trabalharam praticamente todos os dias na Área Dedicada à COVID-19 do Serviço de Urgência durante aquelas seis semanas e três dias. É a única forma de terem um total acumulado de 30 dias, necessários à atribuição do prémio. Os médicos hospitalares que fizeram 15, 20 ou 25 turnos de 12 horas em ADC-SU estão excluídos do prémio de desempenho", revelou o sindicato, realçando que os médicos de família estão igualmente excluídos "quase na totalidade", pois "dificilmente" terão estado continuamente, durante seis semanas - e cinco dias por semana - na área anteriormente mencionada. "A rotatividade foi a regra a bem da segurança dos doentes e dos médicos", partilhou.

"Em conclusão, trata-se de um prémio que revela um desprezo profundo pelos profissionais de saúde ao excluir a quase totalidade dos profissionais que contribuíram e continuam a contribuir com o seu trabalho para o combate à COVID-19. Um logro afinal, a fingir que se compensa, e mais uma desconsideração! Exigimos que o Governo esclareça quantos profissionais serão abrangidos. O SIM exige verdade e seriedade, e que acabe a propaganda e o faz de conta", concluiu.