terça-feira, 12 mai. 2026

The Day After.. o regresso ao passado?

The Day After.. o regresso ao passado?

 “Expect the best, prepare for the worst  that´s the rule”
F.P.

Se não for uma Grande Catástrofe que seja um Terrível Aviso

Um dia destes a Quarentena acabará (ou talvez não), facilitada pelo clima e o incómodo que os raios Ultra Violetas causam nos vírus. Mas ainda que acabe, outro vírus está já em incubação e chama-se o “Vírus da Recessão”, que esperemos não degenere para uma estirpe pior, que é o “Virus do Caos”, não em resultado da Infecção mas da Solução. A necessidade de Isolamento congela a Economia, e pode criar outro Grupo de Risco, o das famílias saudáveis que perderam a sua fonte de rendimentos. Haja medo ou desespero, é importante que nunca mais se ignore o cuidado com a Prevenção, para evitar que uma réplica do primeiro surto se repita e obrigue a outra Quarentena. A acontecer, isso seria uma hecatombe.

Espero que as semanas de “Retiro” forçado tenham dado tempo para reflectir e ganhar hábitos, e isso evite a suposição de que a Pandemia já passou. Um relaxamento, pode vir a desencadear uma segunda vaga e consequentemente outra quarentena, o que acabaria por destruir um País já muito fragilizado pela primeira. Pelo que é melhor evitar a Doença para não ter de voltar a sofrer com o Tratamento, seja por esta epidemia ou outra qualquer, pois há muitas outras na comunidade e estas medidas de prevenção até são úteis para todas elas.

Na era da Globalização, a melhor solução é a Prevenção

Um espirro de um Homem na China, pode provocar uma tempestade de neve em Nova Iorque, esta ideia, eventualmente inspirada na novela Storm de Roger Stewart (1941), terá originado 20 anos mais tarde o “efeito Borboleta” da Teoria do Caos de Edward Lorenz. Já então, sem o mediatismo dos dias de hoje, se discutia o efeito da globalização dos acontecimentos, ainda antes da era da “dependência global” em q vivemos actualmente. Isto é válido não só para o efeito directo de uma doença, como para o custo secundário do esforço de contenção pois os países deixaram de ser auto-suficientes e entram em colapso sócio-económico se por alguma razão tiverem de se fechar à dependência Global.

Quanto maior a velocidade de propagação, maior terá de ser a necessidade de antecipação. Se estivermos à espera que o vírus chegue para pensar nas medidas necessárias, então já vamos tarde.. elas terão de existir antes (tal como os coletes salva-vidas num navio), e a sociedade terá de estar previamente preparada e treinada para que baste apenas activar o botão de Alerta, logo que se detecte uma ameaça. Se todos souberem o que fazer a seguir, o potencial de contágio é muito reduzido, pois as pessoas sabem isolar-se (de forma voluntária) e evitar riscos, sem necessidade que lhes sejam impostas grandes restrições.

Mal estaríamos nós se as informações de emergência aérea fossem apenas divulgadas durante a queda do avião. Para certos países não são apenas os tsunamis, ou os terramotos que nos exigem uma preparação prévia, os surtos infecciosos são tão frequentes e previsíveis que toda a comunidade (como as formigas) se prepara antes do Inverno, com muito mais precaução do que contar apenas com o chapéu de chuva do SNS (que alguns julgam ser a vacina para tudo, até para o desleixo). Isso exige um trabalho precoce e permanente em casa e nas escolas, para evitar a rapidez do contágio e do pânico, q nada resolve e tudo complica. Nas mesmas escolas onde se ensina a colocar o preservativo, também se deveria ensinar a prevenir as epidemias

Mãos Limpas e Coração aberto

Independentemente do Balanço final desta Pandemia, importa não contribuir para que ela se repita, não centralizando a responsabilidade Preventiva apenas nas acções Institucionais. Cada um tem de saber estar atento e tomar as precauções devidas, sem estar a contar somente com o paternalismo e os milagres do santo SNS, que terá de fazer muitos testes e comprar muitas vacinas para corrigir as falhas de atenção de cada um. Até mesmo o isolamento pode perder a eficácia se não houver algum conhecimento e uma preparação prévia, pois se os mais jovens são pouco afectados pela infecção (podendo por isso ser portadores assintomáticos em contexto familiar), já os avós que vivem com eles terão fragilidades, que se podem agravar com o aparecimento de mais uma doença. Isolamento de contacto social, não significa estar em festa dentro de casa, para evitar contaminar os mais idosos.

Infelizmente as medidas restrictivas estão a prejudicar mais gente saudável do que doente, pois se muitos dos doentes já estariam confinados a um espaço fechado, e isso não lhes faz diferença, já a maioria das pessoas saudáveis perdeu a vida activa. Talvez seja necessário retomá-la e voltar a participar na sociedade mas de uma forma “asséptica”, abrindo o coração à participação na comunidade mas mantendo as mãos limpas[jf1] , e sem o contacto físico. Os nipónicos há muito que sabem manter a vida social, protegendo as vias aéreas e cumprimentando-se com uma vénia, além disso são disciplinados e cumprem escrupulosamente as indicações recomendada. Com os latinos já não se passa o mesmo, uns não conseguem falar se lhes atarem as mãos e outros só respeitam um sinal se houver um obstáculo a impedir

Se o surto não for tão sazonal como se pensa, terá de se equacionar a hipótese de voltar a contactar com a comunidade. Se a guerra for longa, não é enfiados num “bunker” que a podemos ganhar, e se a pandemia demorar a passar mais tempo q o previsto, algum dia vamos ter de conviver com pessoas “infectadas”, desde que estejam referenciadas e tenham os hábitos de higiene que são recomendados. Talvez o maior problema sejam os assintomáticos que não tomam cuidados por julgar que não estão doentes, de resto há muitos doentes com SIDA, hepatite ou até Tuberculose, que não são excluídos socialmente pois tomam precauções nos contactos. Se vivermos numa bolha, o País saudável irá morrer mais depressa do que o vírus

Os descuidos do Carnaval dão quarentenas depois da Páscoa

Quando o Amanhã nos trouxer o fim da Quarentena, isso não significa um retomar de todas as actividades, festas e arraiais, que são locais de perda de controle.. algumas das medidas que foram tomadas atempadamente por outros países, e depois adoptadas apressadamente em Portugal, não foram sequer equacionadas durante 2 meses. A circulação era feita livremente, as concentrações não tinham restrições, e os avisos à população parecia não serem necessários. E como é hábito: quando for caso disso depois logo se vê.

Em Veneza cancelou-se o Carnaval (um bom local de diversão para o vírus) mas por cá, de Ovar até Loulé, não se prescindiu desta folia que atrai muitos turistas, eventualmente até de Itália. Pela Europa fora, enquanto muitos países cancelavam jogos por doença de alguns jogadores, por cá eles realizavam-se à mesma apesar de por vezes estar uma equipa inteira com gripe, como aconteceu com o V. Setúbal (se fosse o Corona pior ainda, pois daria menos sintomas). Agora, mesmo sem jogadores suspeitos, os estádios vão ficar às moscas e as pessoas terão de prolongar a quarentena para depois da Páscoa, talvez até aos Santos Populares.. Por esse motivo, após a Quarentena, as saídas deveriam ser apenas para o que é essencial para a sobrevivência, deixando os foguetes para quando houver motivo para festejar

O presente já não será como antes

O regresso ao trabalho é necessário, e todos passarão a fazer o mesmo, mas agora as rotinas terão de incluir os cuidados de Higene e Distanciamento até que o perigo esteja oficialmente extinto. Pois um pequeno descuido pode dar uma grande Quarentena.

De qualquer modo a mudança de hábitos deve manter-se pois esta Pandemia não será a última, mas as consequências podem ser diferentes se a sociedade já tiver mais atenção para com a prevenção dos contágios e a protecção individual.

Como os riscos de infecção levam a medidas de contenção, cada um terá de começar a preparar no presente as protecções para o futuro, seja a vela para quando falta a luz ou a máscara para quando houver um risco de contágio. As epidemias até podem ser previstas com alguns dias de avanço, mas tudo o que tiver de se comprar à última da hora ou sai caro ou é de fraca qualidade.

Junto com o Isolamento veem as restrições económicas, e para este pacote têm de se reservar não apenas artigos de protecção individual, como recursos económicoa. E como não sabemos quando virá a próxima, é melhor começar a guardá-los já. A própria segurança profissional pode obrigar a escolher empregos de risco diferente em caso de crise, para evitar que uma falência atinja os dois membros da família ou um isolamento os impeça de trabalhar à distância

Desta vez foi só uma crise viral, que não afectou a distribuição, mas noutra altura poderá ser uma crise diferente que impeça as comunicações e deixe as prateleiras do supermercado vazias. Esta é uma dependência que tem de ser reduzida, e a par de passear o cãozinho também se pode fazer exercício a criar bens de consumo. Ainda que difícil para quem vive em cidades nada impede, para quem esteja perto do campo, de criar hábitos que podem ser úteis no futuro.

Afinal a Protecção até está nas nossas mãos

1- O vírus não tem asas, e não vem atrás de nós como os mosquitos, pois a transmissão aérea só tem riscos se for dentro da “área do aerossol” (cara a cara ou à distância de um espirro)

2- O veículo de transmissão são as MÃOS (as nossas mãos), quando tocam naquilo onde os outros antes deixaram resíduos de um espirro, mas ficam seguras se as lavarmos

3- O perigo mais importante (mas a que se dá menos atenção), é a transmissão assintomática e mesmo que acreditemos não ter infecção, podemos contaminar aqueles em quem tocamos

por Alberto Fial
Médico


 [jf1]