Ministra nega proibição de partilha de informação e diz que SNS não paga todas as ‘contas’ de covid-19 no privado

Há 1849 profissionais de saúde infetados em Portugal, dos quais 276 são médicos. Graça Freitas diz não saber quantos estão nos cuidados intensivos.
Ministra nega proibição de partilha de informação e diz que SNS não paga todas as ‘contas’ de covid-19 no privado

A conferência de imprensa das autoridades de saúde, que contou com a ministra Marta Temido e com a diretora geral Graça Freitas, ficou marcada pelas questões sobre a proibição da partilha de dados pelas autarquias, que merecerem várias acusações de presidentes de câmara que acusaram o governo de aplicar uma ‘lei da rolha’.

A ministra negou existir tal proibição de divulgação de dados a nível regional, mas sublinhou que as autarquias só deveriam partilhar dados da DGS.

“Há, sim, um apelo claro a todas as entidades que integram o ministério da Saúde, em especial as autoridades locais e regionais de saúde, se concentrem no envio de informação atempada e consistente para o nível nacional. Boletins parcelares podem ser causadores de análises fragmentadas”, explicou.

Marta Temido foi ainda confrontada com a discrepância entre o número de testes positivos ser superior aos casos identificados e confirmados pela DGS.

"Recordo e sublinho que um caso confirmado poderá corresponder a mais do que um teste positivo. Por exemplo, o critério de cura, por exemplo é aferido por dois testes. Se uma pessoa [já sem sintomas] for testada várias vezes, mas demorar a ter os seus testes confirmados como negativo, estes testes contam”, esclareceu.

Sublinhe-se que foram realizados 161.475 testes de diagnóstico à covid-19, dos quais 17.893 foram positivos.

Questionada sobre o facto de os portugueses infetados estarem a pagar do seu bolso as contas dos hospitais privados, Marta Temido foi perentória na sua resposta, que aliás começou com a pergunta: “Quem é que pagaria antes?”.

A ministra defende que o SNS não pode ser responsável pelas despesas de cidadãos que procuram, por iniciativa própria, assistência num privado.

"O que ninguém entenderia é que o SNS fosse, de repente, responsável pelas despesas de doentes que se dirigiram, por sua livre vontade, a prestadores privados. A porta de entrada é a Linha Saúde, como sempre dissemos", sublinhou.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, confirmou que há 1849 profissionais de saúde com covid-19 em Portugal, dos quais 276 são médicos, 488 são enfermeiros e 1.085 são outros profissionais do setor.

Quanto ao número de profissionais de saúde internados nos Cuidados Intensivos, a responsável admitiu não ter conhecimento da totalidade.

A falta de acesso pelas entidades científicas aos dados de doentes infetados com covid-19, no âmbito de investigação científica da pandemia em Portugal, foi outro dos assuntos que também marcaram a conferência de imprensa deste sábado.

Foi Marta Temido quem respondeu lembrando que a informação tem sido disponibilizada, embora com dados anónimos, como é exigido por lei, fez questão de sublinhar.

“Mesmo que todos estejamos a viver tempos de exceção, a proteção de dados e a ética na investigação têm, obviamente, de ser garantidas”, frisou a ministra.