sábado, 24 jan. 2026

Enfermeira agredida nas urgências do Hospital de Santa Maria

Episódio terá acontecido devido à demora da enfermeira em ir buscar um comprimido. Foi agredida com socos, estalos e puxões de cabelo. 
Enfermeira agredida nas urgências do Hospital de Santa Maria

Uma enfermeira foi agredida na madrugada de hoje no serviço de urgência do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Após os puxões de cabelos, bofetadas e socos, a profissional não conseguiu continuar a trabalhar, estando agora a ser acompanhada. Já os agressores foram identificados, mas permaneceram no local das agressões.

Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros, explicou ao i que, segundo lhe contou a vítima, “a agressão partiu da utente em si, porque a enfermeira teve de ir buscar um comprimido para a senhora, tendo demorado menos de dez minutos”. 

“A utente deve ter achado que tinha sido muito tempo e assim que a enfermeira chegou ao pé dela levou um estalo e a mesma puxou-lhe os cabelos. Logo de seguida veio o marido da senhora e deu-lhe um soco. Apareceram ainda os filhos e ela continuou a ser agredida”, referiu a bastonária.

O incidente aconteceu na zona das urgências destinada ao atendimento das pulseiras laranja, pelas 2h. Na altura da agressão, o agente da PSP que estava de serviço foi chamado a responder a outra ocorrência, tendo sido outro elemento que estava presente a intervir. O Comando Metropolitano de Lisboa da PSP explica, em comunicado, que após identificar as “partes envolvidas”, encaminhou o processo para o Ministério Público. Os agressores não foram detidos.

Ao i, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros refere que, após este ataque, “a enfermeira não teve nem condições físicas nem psicológicas para continuar a trabalhar”, mas os agressores puderam “continuar no serviço de urgência, como se nada fosse, junto dos outros profissionais e das restantes famílias e utentes”.

Quanto ao Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), esse informou, também em comunicado, que “a profissional está a receber todo o acompanhamento por parte da Saúde Ocupacional do Centro Hospitalar” e que o caso “foi entregue às autoridades policiais”.

Para além disso, fonte oficial referiu que “condena veementemente este e qualquer ato criminoso praticado contra profissionais de saúde” e que “prestará todo o apoio jurídico à enfermeira agredida”. Agora, está a proceder à análise do caso “para garantir que o esquema de segurança tem a resposta exigida”.

Contactado pelo i, o CHULN escusou-se a prestar mais esclarecimentos sobre o caso.

Governo cria gabinete de segurança

Esta terça-feira, a ministra da Saúde, Marta Temido, e o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, estiveram reunidos e anunciaram a criação de um novo gabinete de segurança para combater a violência contra os profissionais de saúde. 

No entanto, para Ana Rita Cavaco, esse gabinete não chega para pôr fim ao problema. “Não é com a criação de um gabinete de segurança que nós vamos resolver estas questões, até porque o problema está identificado há muito. Todos os anos saem dados sobre as agressões a profissionais de saúde e o que tem que existir é uma atitude punitiva”, afirma.

Segundo os dados da Direção-Geral da Saúde, nos primeiros nove meses do ano passado registaram-se 995 casos de violência contra profissionais de saúde.

Para a bastonária, a violência na saúde tem vindo a aumentar devido “às condições de degradação do SNS”, sendo necessária, para além de uma atitude punitiva, uma maior presença policial e de segurança.