sexta-feira, 12 jun. 2026

China terá uma câmara de vigilância por cada duas pessoas em 2022

Chongqing é a cidade mais vigiada do mundo, com 2,5 milhões de câmaras. São 168 por cada mil pessoas.
China terá uma câmara de vigilância por cada duas pessoas em 2022

Oito das dez cidades mais vigiadas do planeta situam-se na China. Esta é uma das conclusões do estudo realizado pela Comparitech, empresa britânica que investigou 120 cidades em todo o mundo. Em Chongqing, Shenzhen e Xangai são poucos os que conseguem escapar aos olhos das autoridades: existem mais de 100 câmaras por cada mil pessoas. 

São 2,5 milhões de câmaras a vigiar uma cidade com 15 milhões de pessoas. Chongqing, a cidade mais vigiada do mundo, conta com 168 câmaras por cada mil pessoas. No total, a Comparitech estima que a China tenha mais de 200 milhões de câmaras de circuito fechado de televisão (CCTV, sigla em inglês) em funcionamento. 

De acordo com a empresa, que fez uma previsão de acordo com a velocidade a que as CCTV são instaladas no país, a China não irá ficar por aqui: até 2022, antevê que o Império do Meio terá em funcionamento mais do triplo das câmaras, aumentando o seu número para 626 milhões. Feitas as contas, irá dar uma câmara para cada dois dos 1,4 mil milhões de cidadãos chineses. 

Mas embora a China ocupe um lugar de destaque no ranking delineado pela empresa britânica, há também certas cidades europeias e norte-americanas que vigiam as suas populações. Londres encontra-se em sexto lugar na tabela, com cerca de 630 mil CCTV para vigiar os nove milhões de pessoas que vivem e trabalham na capital britânica, o que dá um rácio de 68 câmaras por cada milhar de pessoas. Também Atlanta, cidade no sul dos Estados Unidos, a décima do ranking, apresenta 15 CCTV por cada mil cidadãos. 

Além da capital do Reino Unido há outras cidades europeias com elevado número de CCTV. É o caso de Berlim, Viena, Varsóvia, Madrid, Budapeste, Atenas, Paris, Sófia, Nice, Praga e Roma. 

De acordo com o relatório da Comparitech, a segurança das populações e a prevenção do crime são apontadas como os principais argumentos para a instalação das CCTV. No entanto, ao cruzar os índices de criminalidade e segurança da Numbeo, um site com bases de dados de vários países, com o número de câmaras nas cidades não é possível encontrar uma correlação forte que justifique esse argumento. Ou seja, mais CCTV não é sinónimo de maior segurança numa cidade, concluiu a empresa britânica. 

O sistema CCTV distribui sinais provenientes de câmaras localizadas em locais específicos, com um ou mais pontos de visualização, e que podem servir para vários objetivos: prevenção de crimes, controlo de trânsito ou monitorização de operações industriais em ambientes não adequados para seres humanos. No entanto, segundo a Comparitech, com a era digital, este tipo de vigilância disseminou-se por todo o mundo. A explicação é simples: as câmaras melhoraram a qualidade, o preço baixou de forma considerável, os seus arquivos podem ser guardados em clouds na internet e os fluxos de vídeo também podem ser acedidos na web em direto com uma facilidade nunca antes vista. 

Por outro lado, a Comparitech prevê que as autoridades públicas e privadas adotem cada vez mais as tecnologias de reconhecimento facial nas CCTV, possibilitando a identificação imediata de uma determinada pessoa - uma corrida que também já está a ser ganha pela China.