quinta-feira, 13 ago. 2026

Segurança do Urban Beach ouvido pela primeira vez em tribunal diz ter temido pela sua vida

"Não é por acaso que seguranças já foram executados em discotecas, não muito longe dali. Não sabia o que é que ele tinha no carro, se tinha mais gente”, disse um dos seguranças em declarações.
Segurança do Urban Beach ouvido pela primeira vez em tribunal diz ter temido pela sua vida

O julgamento de um dos casos de agressão na noite de Lisboa mais polémico dos últimos tempos ainda se encontra a decorrer. Os três seguranças que agrediram um jovem na discoteca Urban Beach, em Santos foram ouvidos esta terça-feira.

Quando questionado sobre o porquê de ter saltado com os pés em cima dos braços do jovem André Reis, um dos seguranças envolvidos no caso, David Jardim, disse que o fez para se defender do rapaz que tinha um x-ato na mão. “Estava com receio do que poderia fazer com o x-ato e de meter ali as mãos. Não sabia se me poderia cortar”, explicou David Jardim, na primeira vez que falou em tribunal, citando o Observador.

Segundo o segurança, quando este chegou ao local, o jovem já se encontrava no chão e quando Jardim o quis ajudar a levantar-se André começou a insultá-lo e a lançar ameaças, dizendo que “as coisas não iriam ficar assim”.

Quando reparou que André se estava a dirigir ao carro, Jardim, com receio do que o jovem pudesse fazer, decidiu agarrá-lo e colocá-lo no chão de novo. “Não é por acaso que seguranças já foram executados em discotecas, não muito longe dali. Não sabia o que é que ele tinha no carro, se tinha mais gente”, disse em declarações.

Em tribunal, Jardim foi questionado sobre a segurança de André Reis. Os juízes perguntaram-lhe se este nunca receou que o x-ato pudesse ferir a vítima, visto encontrar-se junto ao seu peito e os seguranças estarem a pontapeá-lo múltiplas vezes perto dessa zona.

 O segurança disse que o x-ato estava fechado, logo, nunca temeu pela segurança do jovem mas sim pela sua e dos seus colegas, pois André poderia abrir o objeto a “qualquer momento”.

Além de David Jardim, Pedro Inverno e João Ramalhete foram acusados de homicídio qualificado na forma tentada devido à agressão ao jovem André Reis e Magnunson Brandão no exterior da discoteca Urban Beach, no dia 1 de Novembro de 2017.

Os três seguranças requereram a abertura de instrução, mas foi decidido pelo tribunal que estes seriam julgados como pessoas conscientes do risco das agressões aos jovens. Os ataques e os ferimentos causados “poderiam ter determinado a morte dos mesmos”, de acordo com o Ministério Público.

Esta foi uma das duas sessões agendadas, depois das alegações finais terem sido adiadas. Devido a um problema com a gravação do primeiro interrogatório judicial do arguido Pedro Inverno, a sessão de 14 de maio acabou por não ocorrer e adiou todo o processo. Uma nova sessão encontra-se marcada para dia 28 de Maio.